O mestre Griô, "Eugênio da Silva Alencar, conhecido como Mestre Paraqueda, de 73 anos, é músico, compositor, poeta, desenhista, um contador de histórias. Vivenciou os chamados territórios negros em Porto Alegre: nasceu na região de Alto da Bronze, morou no Areal da Baronesa, no Menino Deus, dentre outras regiões da cidade que concentraram os descendentes de africanos. A ligação com o samba veio através da família, que costumava tocar e cantar em festas, nos finais de semana. Começou a compor por volta dos oito anos, na metade da década de 1940.
Seu apelido veio de quando serviu ao Exército como para-quedista. Foi assim que conheceu o Rio de Janeiro e lá conviveu com o cotidiano da Escola de Samba Portela. Participou também dos ranchos da Unidos da Vila Valqueire. Sua relação com o carnaval é muito forte. Compôs mais de 60 temas, sendo que 40 viraram sambas enredos de diferentes escolas de Porto Alegre. Fundou diversas sociedades carnavalescas da cidade como o Comandos do Morro, o Sambão, o Samba Puro, Unidos da Conceição, dentre outras.
Como desenhista, construiu diversas alegorias para estas sociedades e escolas de samba. Gravou muitos sambas enredos dos carnavais de Porto Alegre e teve outras músicas gravadas por outros intérpretes. Uma destas, chamada “É morro, é favela, é gueto, é quilombo” foi censurada pela ditadura militar. Sua trajetória é marcada pela resistência das culturas populares, da negritude do pampa, municiada pela música e poesia."*
Mestre Paraquedas nos brindou com composição feita especialmente para o documentário "O Grande Tambor", e ontem a noite um grupo especial de músicos (Paulo Romeu, Wado, Lucas Kinoshita, Cal e o próprio mestre) se reuniu no Ponto de Cultura Odomodê com a missão de harmonizar esta música. Eis o resultado:
A gravação da música para a trilha vai ser semana que vem, no Ponto de Cultura Ventre Livre.
*Texto: Caiuá Al-Alam, Pesquisador.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Mestre Paraquedas na Trilha do Documentário "O Grande Tambor"
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Tentativa de golpe no Equador

O presidente Hugo Chávez anunciou pela Telesur, uma emissora da Venezuela, que o presidente do Equador Rafael Correa foi sequestrado e está em um hospital da Polícia de Quito. Chávez falou diretamente com Rafael Correa por telefone e ele teria dito que não vai ceder e esta disposto a morrer.
A população cercou o hospital onde está o presidente para resgatá-lo e a polícia está reprimindo com bombas e tiros contra a população que tenta resgatar o presidente.
fonte Telesur
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Blog do Projeto TAMBOR DE SOPAPO
O Projeto TAMBOR DE SOPAPO: resgate histórico da cultura negra no extremo sul do Brasil conta com um blog para difundir suas atividades. Acompanhe a construção do documentário no tambordesopapo.blogspot.com
Abaixo confira a matéria publicada no site da SECOM - Prefeitura de Pelotas:Do passado ao presente, o Carnaval de Pelotas segue se destacando pela preservação das raízes. O instrumento secular que deu origem ao compasso do samba e teve presença marcante na construção da cultura gaúcha se transformou em peça rara desde os últimos anos do século passado. A busca pelo tambor de sopapo trouxe ao Carnaval de Pelotas um grupo portoalegrense de cinco pesquisadores que trabalham na produção de um documentário.
Integrante da cooperativa Catarse Coletivo de Comunicação, o grupo que desenvolve o projeto Tambor de Sopapo: resgate histórico da cultura negra no extremo sul do Brasil, veio à Doce Folia à procura de imagens do instrumento em uso. E não se decepcionaram.
A cidade, que junto de Rio Grande introduziu o instrumento no Estado, trouxe para a Passarela do Samba dois exemplares do sopapo. “Demos muita sorte e encontramos um ritmista da bateria da Banda Entre a Cruz e a Espada e outro na Ki-Bandaço e imediatamente os acompanhamos ao longo do desfile” comemorou o diretor do filme documentário, Gustavo Turck.
A proposta do projeto patrocinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (IPHAN) é reunir um compilado composto de dois livros, um DVD e o longa. “Queremos traçar um resgate da importância do instrumento na construção da cultura gaúcha. Os motivos do desaparecimento deste componente e estimular o seu ressurgimento, sempre vinculado à contribuição deixada pelo trabalho afro-descendente”.
O grupo é composto por Gustavo Turck (diretor do filme), Sérgio Valentin (coordenador do projeto), Leandro Anton (coordenador do Quilombo do Sopapo), Sarah Brito (produtora) e Marcelo Colgo (diretor de trilha). Eles ficam na cidade até o dia 19, depois seguem para Rio Grande.
Matéria publicada no site da Prefeitura de Pelotas
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Transgredir para respirar
Há quase um ano...
Ação da Via Campesina durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres demonstra a força da mobilização feminina na resistência contra a opressão do Estado.
por Jefferson Pinheiro
Sentadas na grama, à beira da estrada, em frente ao assentamento Conquista do Chão, em Candiota/RS, no final da tarde de 09 de março, elas bebem cachaça no bico (escondido das crianças), contam histórias, riem. Enquanto o amarelo-luz vai esmaecendo, e um vento quase frio embaralha os cabelos. À noite, se encantam com um céu de lua e estrela. Elas - que conhecem a exclusão, a exploração, a opressão e a repressão, e tomaram consciência de que juntas podem mudar algumas coisas, e de que muitas coisas precisam mudar - têm os olhos no futuro e uma luta no presente. São as mulheres da Via Campesina. São fortes, apaixonantes. 
Do outro lado da rua de terra fica a Fazenda Ana Paula, propriedade de 18 mil hectares da Votorantim Celulose, 7.500 deles uma imensa lavoura de árvores, que os ambientalistas chamam de deserto verde. Foi ocupada pela manhã, quando cerca de 700 mulheres cortaram centenas de eucaliptos pra denunciar que a monocultura na região resseca os mananciais de água, ameaça a biodiversidade, degrada o meio ambiente, expulsa o trabalhador do campo e gera pobreza.
Domingo, dia 08, por volta das 19h, saímos de Porto Alegre debaixo de chuva, um grupo de jornalistas da mídia alternativa, seguindo um carro com integrantes do Movimento. Não sabíamos pra onde. Nessas ações, quanto menos pessoas souberem o destino é melhor, para que a informação não vaze.
Joana diz que a ação foi planejada por meses, e um vacilo agora poderia comprometer tudo. Viajamos a noite toda, parando às vezes para que elas monitorassem a estrada, atentas a alguma movimentação da polícia, esperando parte do comboio, que vem de diversas regiões do Estado. É importante que todos os ônibus cheguem ao local de encontro no mesmo horário, porque um veículo parado por horas junto à estrada pode levantar suspeita. Ficamos lá alguns minutos. Minutos longos. A tensão cresce. Dois carros passam, observam. Seguem. Se avisarem a polícia, se algo der errado nesse momento, a mensagem preparada para o amanhecer será frustrada. Ansiedade latente. Atrás de uma curva crescem as luzes. Expectativa. Murmúrios. Silêncio...
“São elas!”, alguém grita. São as mulheres da Via Campesina, as companheiras, as lutadoras pelas quais se esperava.
Até o local onde a cerca será cortada são mais 40 quilômetros de ruas de areia bem esburacadas. Luiza está a alguns dias na região preparando os detalhes. É ela que ensina os caminhos a tomar no escuro. Antes do dia acordar, param para que as foices e os facões, escondidos na grama, sejam carregados. O rosto junto à janela de vidro, o olhar pra além das cercas desse lugar de conflito e injustiça enxerga tudo o que virá depois. As notícias, os interrogatórios, julgamentos... Conseqüências. Mas há convicção de que é preciso fazer. Enfrentar.
O comboio manobra, volta um trecho, acha o ponto. A foice contra o caule é um símbolo, um recado, uma denúncia, um grito. Embaixo dos eucaliptos nada floresce. É tudo seco, árido, estéril. Seriam cortados mesmo pelas máquinas. Na hora do lucro, do muito lucro. Na hora em que as empresas ficam com tudo e a terra fica vazia, usada no limite. E o homem e a mulher já terão ido embora: favela, cidade, desemprego, informalidade, miséria, problema.
Por isso elas vibram com cada eucalipto que vem abaixo. Comemoram. Fazem festa. Nas mãos vão ficando os calos. No rosto vai entrando um sorriso. Sorriem com os olhos atrás dos lenços. Era pra terem derrubado mais. Mas ano passado a luta foi dura. A polícia bateu sem piedade. A lembrança incomoda. Por aqui já está bom. Hora da marcha.
A área do latifúndio circunda 53 assentamentos, onde 1.800 famílias de agricultores produzem para a subsistência e o mercado local. Além de alterar o bioma do pampa, de prejudicar o meio ambiente, a Votorantim demitiu, em nome da crise financeira, trabalhadores urbanos temporários que não servem mais aos seus negócios.
“Como é bom o cheiro de eucalipto cortado ao amanhecer”, diz o câmera extasiado, enquanto colhe as imagens e respira no ar úmido do suor feminino. Elas marcham sobre as pedras do chão, entre o arame farpado e o mar de eucalipto. “É por amor a esta pátria, Brasil, que a gente segue em fileira”, repetem orgulhosas. São de todas as cores, carregam muitas dores, têm todas as idades. Não vão à academia, nem tem a pele protegida por cremes. Não vestem vestidos, nem saltos, não usam batom, não pintam o cabelo e nem por isso são menos lindas, delicadas, sedutoras, femininas. “Não há socialismo sem feminismo”, ensinam.
E educam seus filhos pra que entendam essa luta, dentro das lutas. Elas os educam na beira das estradas, sob os barracos de lona, sob o sol e com os pés na terra. Os fazem experimentar a rua, plantar o que será comida, sentir o cheiro da chuva, estudar a vida que levam e a que querem poder levar, viver em comunidade, viver em solidariedade, somar força e dividir conquista. E fazem isso com cuidado, preservando a fantasia e a brincadeira. Porque quem sonha também ensina a sonhar.
A polícia chega pelos dois lados de quem marcha, atravessa a fileira dos que caminham. Ostenta o aparato militar. Fazem cara de mau ou transformaram mesmo sua fisionomia? Intimidam. Alguns poucos destoam. A farda não consegue desumanizar a todos. Consegue?
Perdi a conta dos quilômetros sob o sol. Foram muitos. Umas ajudam a carregar os filhos das outras, quando os braços já não agüentam esses quilômetros. Paramos duas ou três vezes pra beber e comer pão com banana, dividir os alimentos das mochilas. Se reúnem em grupos, debatem, montam estratégias, tomam decisões. Até chegar a frente de uma das entradas do assentamento Conquista do Chão e da Fazenda Ana Paula. Então descarregar as trouxas, as madeiras e as lonas. Foi rápido a montagem para o acampamento improvisado. Ali passamos a noite. Mas nem todos dormiram.
A cada cinco ou dez minutos um dos carros da polícia cruza o acampamento, lentamente. Toda a noite, toda a madrugada. Era possível ver a estrada bloqueada nos dois sentidos. Quem fosse assentado ou suspeito de ser apoiador dos sem terra não passava. Outros mais ricos menos “perigosos” podiam. “O soldado também é uma vítima do sistema”, pensam as acampadas. Um ou outro soldado também entende que a reforma agrária é uma reivindicação justa. Essa compreensão, porém, não muda o que cada um desempenha na realidade que os coloca frente a frente.
Marisa conta que algumas mulheres foram dormir calçadas. “É pra poderem levantar correndo, caso os policiais ataquem durante a noite”, explica. Tiros de borracha feriram algumas manifestantes no 08 de março do ano passado (2008). E apesar da coragem que as trouxe até aqui, algumas receiam ficar na mira dessas armas novamente. As acampadas se revezam na vigília, que observa o movimento dos carros da Brigada Militar. É delas a tarefa de avisar às outras numa ação da polícia.
E esperam o momento em que a polícia virá. Serão menos violentos dessa vez? Vem também a cavalaria? Vão atirar com as balas de borracha que queimam a pele e machucam a carne? Vão nos prender, depois de nos identificar? Perguntas, pensamentos que atravessam a noite e amanhecem junto com cada uma. Estão pressionadas, embora nem todas demonstrem. Mas sabem o que querem e pra onde vão.
Foi depois do café, quando as crianças brincavam de ciranda, se divertiam num trenzinho humano que as educadoras faziam circular pelo acampamento. Carros, caminhonetes, caminhões, ônibus, helicóptero. No mínimo uma centena de policiais, cavalos, cães, tropa do Batalhão de Operações Especiais (BOE), escudos do “Choque”, capacetes, porretes, coturnos, bombas, pistolas, escopetas. Contra as mulheres de lenço, boné, escudos feitos de madeira barata (que servem mais como cartazes para suas mensagens), facões e foices, usadas para cortar os eucaliptos e montar os barracos. E crianças.
Os policias com seus cães de guarda. Os cães de guarda dos policiais as cercam, obrigam a se desfazer de suas ferramentas, de seus lenços e de seus escudos. Tudo vai para dentro do caminhão de “Carga Viva” da Brigada. Com os escudos, vão sendo apreendidas as mensagens que carregam. Cristiano, um oficial, joga pra dentro do caminhão o recado: “Lutamos contra o atual modelo do Governo”. Um protesto que virará lixo no lixo do governo, ou prova do governo contra as mulheres que ousam enfrentá-lo.
Cercadas, formam uma massa humana, um corpo só, uma única voz de 700 vozes. Cantam, batem palmas, enquanto seus barracos vão sendo revistados e destruídos pelas Forças de “Segurança”. Nesse momento não há medo. Olhar altivo, dão as mãos, juntam as forças, jogam pra cima em palavras de ordem: “Pátria livre, venceremos!”.
É possível. As 370 mil famílias assentadas por meio das ocupações de terra nos últimos 25 anos provam isso. Mas é difícil. São muitos momentos duros. Assassinatos. Eldorado dos Carajás, Jair da Costa, Keno e tantos outros. Serão muitos momentos duros. O Ministério Público Estadual e o Federal trabalham para desarticulá-las. O Estado trabalha contra. Como agora. Organizadas em filas, todas as mulheres são revistadas e identificadas. As mães, junto com os filhos, passam também por um cadastro do Conselho Tutelar. Serão notificadas por riscos e danos morais, pelas crianças não terem ido hoje à escola e estarem expostas a uma situação de conflito. Isso é verdade. Com a operação de guerra montada pela polícia, os pequenos correm risco. Mas há alternativa para as mães que precisam se mobilizar, que não seja terem seus filhos consigo? Afinal, é quase sempre pensando neles que elas se movimentam em busca da oportunidade de recomeçarem a vida em melhores condições e dignamente em cima de um lote da reforma agrária.
Enquanto a operação é colocada em prática, dois P2 (serviço secreto da PM gaúcha) fotografam todas. Estão à paisana. São discretos. Material farto para a Inteligência da polícia. São todas tratadas como criminosas. Essas mulheres de chinelo de dedos, pouca escolaridade, sem parentes influentes e nenhuma intimidade com o crime são mesmo perigosas?
O fotógrafo local do Jornal Zero Hora, sorrindo, com um tapinha nas costas de um policial se divertia: “Mais um showzinho pra gente”, focando as mulheres submetidas a humilhação das revistas. Eram as policiais femininas que faziam esta parte. Algumas constrangidas. Outras tinham ódio no olhar e nas mãos, quando batiam nos bonés verdes das camponesas, e depois de retirarem seus lenços, os jogavam com algum prazer à margem da estrada. Como as zapatistas quando usam os passa-montanha, as sem terra ganham importância quando protegem o rosto com os lenços. Basta retirá-los para que se tornem invisíveis novamente.
Cercadas pela polícia e pela mídia, oprimidas pela polícia e pela mídia, violentadas pela polícia e pela mídia, a mando da Justiça e das empresas. “Não vai ter problema nenhum, agressão nenhuma”, garantiu o Coronel Biensfield, quando pela manhã as tropas desfizeram o acampamento. De fato, não bateram, não atiraram, não agrediram o corpo. Mas vigiá-las, constrangê-las, cercá-las, revistá-las, submetê-las, identificá-las, levá-las para a delegacia, deixar elas e as crianças passarem fome e sede, impedindo os assentados de alimentá-las, não é violência?
“Nem prisão ou morte deterão a nossa ação, de lutar junto ao povo pela revolução”, respondem com a espinha ereta. E a revolução que querem está em outro cartaz que empunham: “Mulheres unidas pela terra e em defesa da vida”.
A carona foi de um assentado da região. Voamos por um caminho alternativo até a cidade. Escoltados pelo efetivo da polícia, os ônibus com as agricultoras sem terra rumaram para o ginásio municipal. Perto dali, seis camponesas foram levadas para a delegacia. Uma delas, Joana, me contou depois que ouviu pelo rádio da viatura que estavam articulando a transferência delas para uma penitenciária. Mas aí, aconteceu. Ao invés de entrarem no ginásio, com um movimento espontâneo e espírito de resistência, as mulheres tomaram a rua. “Queremos as companheiras! Queremos as companheiras! Queremos as companheiras!”, insistiam. O batalhão de choque fechou a rua, então elas foram pra outra. Fecharam a outra, então elas foram para a próxima. Fecharam também, e então elas voltaram para a primeira. Até que para a polícia era bater ou recuar. E dessa vez estavam orientados a evitar a violência física, por conta da repercussão negativa do ano anterior.
“Queremos as companheiras! Queremos as companheiras! Queremos as companheiras! Nós vamos buscar elas!”. E quando passaram por cima dos primeiros policiais, um oficial convenceu-as de que chamaria o Coronel para conversarem. Deram a ele cinco minutos. E então veio Cláudia, advogada do Movimento, com a notícia de que elas seriam libertadas, graças à mobilização das mulheres. E foram soltas. E mesmo vigiadas pelos aparatos do Estado, estão soltas lutando pela reforma agrária e empunhando escudos-cartazes que nos dizem: “Somente quando transgredimos alguma ordem, o futuro se torna respirável”.
*Os nomes das mulheres da Via têm outros nomes. São cuidados para driblar os que querem lhes tirar o ar.
Arte de Rafael Corrêa sobre foto de Jefferson Pinheiro.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Mostra Catarse 5 anos à Margem

Comemorando seu quinto aniversário, o Coletivo Catarse convida a todos para a abertura da MOSTRA CATARSE 5 anos à Margem, que ocorrerá nesta quinta-feira, 8 de outubro, às 19h, no Arquivo Público do Estado do RS (Riachuelo, 1031).
Na programação, um apanhado das produções audiovisuais do Coletivo nestes 5 anos de existência, entre curtas, médias e longas-metragens, animações, documentários e cinerreportagens. A Catarse estará exibindo esta faceta de seu trabalho sempre nas quintas-feiras, às 19h, no APERS, até 5 de novembro.
As exibições serão seguidas de debates. Entrada Franca.
Com um trabalho autoral e engajado, o Coletivo firmou olhar nos movimentos e organizações do povo, que entendem a cultura como um direito humano e a comunicação como uma ação transformadora. Hoje, a cooperativa é responsável pela proposta de um Ponto de Cultura, o Ventre Livre, foi premiada com o Vladimir Herzog de Direitos Humanos (2008, junto com a Agência Brasil), com o 8° Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, e menção honrosa no XVII Salão Internacional de Desenho para Imprensa, tem documentários exibidos em vários estados do Brasil, em ações de cidadania e defesa dos direitos humanos. Já trabalhou para dezenas de entidades da sociedade civil.
PROGRAMAÇÃO
MOSTRA CATARSE 5 anos à Margem
Sempre nas quintas-feiras, às 19h.
No Arquivo Público do Estado do RS (Riachuelo, 1031).
08 de OUTUBRO
Bugigangas
Culpa nossa de cada dia
Deriva Galpão de triagem
Aniversário de Othoniel
Espaço Público
15 DE OUTUBRO
Quilombo Urbano
Me dê motivos para ir embora
Tempo de Pedra
22 DE OUTUBRO
Série Migrantes da Cana
Kuaray do Sul
29 DE OUTUBRO
A busca de Maria
Questão de Gênero
5 DE NOVEMBRO
Usina Catende
É Possível
SINOPSES
Bugigangas (7’)
As Bugigangas hoje permeiam as relações sociais em diversos níveis, desde aproximar pessoas que estão fisicamente distantes através da comunicação como distanciam as pessoas que vivem próximas, como no caso da família Silva.
Culpa nossa de cada dia (6’)
Vídeo realizado colaborativamente com o programa Ponto Brasil.
Histórias de vida contadas num confessionário em praça pública.
Deriva Galpão de triagem (4’30)
"O fetiche se constitui pela sua inatingibilidade. Quanto mais distante se apresentam [as mercadorias], mais desejadas são. Os ditadores de ontem e de hoje, servem-se ainda destas estratégias, para se perpetuarem na arte de serem adorados. Uma vez bolinadas, conhecida sua materialidade, o encanto fenece. De forma inteligente os sistemas criam outros, e outros tantos para continuar a ópera". Trecho de As mesmices globais, de Pedro Figueiredo.
Aniversário de Othoniel (2’25)
Flanando pela cidade. Dá nisso.
Espaço público (5’30”)
Exercício de vídeo com câmera fotográfica. A integração do teatro e da rua. Imagens capturadas no ensaio e apresentação da Farra de Teatro, em Porto Alegre – RS.
Quilombo Urbano dos Silva (5’)
Realizada para o quadro Outro Olhar, da TV Brasil, a reportagem integrou o web-documentário Nação Palmares, vencedor do 30º Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos 2008.
Me dê motivos para ir embora (20’)
Bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre, 2009. Há quase uma década foi anunciada a construção de um shopping ao lado do Hipódromo Cristal. As obras da primeira fase iniciaram em 2006 e terminaram em 2008. Junto com o rápido progresso vieram os problemas. Ao invés de novos empregos, urbanização de vilas e outras melhorias, surgiu o projeto de remoção de um número expressivo de famílias para a expansão do espaço físico deste empreendimento imobiliário.
Tempo de Pedra (51’)
Tempo de Pedra acontece na relação de um lugar com suas pessoas; a cidade e os corpos. O cenário é o centro histórico de Porto Alegre/RS. Ali, pousa diariamente a grande feira, auto-organizada e vivida principalmente por pessoas de classes populares; é o fenômeno Camelódromo da Praça XV, uma gigante instalação, que há décadas se configura em um espaço onde espontaneidade, improviso e estética se fundem e caracterizam o modo de ser e agir, no cotidiano intenso da rua.
Kuaray do Sul (31’)
Kuaray do Sul é uma reportagem cinematográfica em busca do mito guarani Sepé Tirajú, durante a Assembléia Continental Guarani, em 2006. De como sua luz se manifesta na atualidade: no espírito, no coração e nas ações de pessoas simples. Na guerreira gente que luta na vida por terra, por sentimento de comunidade, afirmação cultural, percepção de tempo milenar e dignidade às nossas e às futuras gerações.
A busca de Maria (6’)
Maria, uma jovem como tantas outras, parte em busca de sua identidade.
Questão de Gênero (90’)
Acompanha, durante um ano, a vida de sete pessoas que, em comum, têm o sentimento de que nasceram em um corpo que não era o seu. Homens que nasceram mulheres, mulheres que nasceram homens contam como se descobriram transexuais e como buscam viver em sua verdadeira identidade de gênero.
Usina Catende (9’)
Catende é considerada uma das maiores experiências brasileiras em auto-gestão e economia solidária, fruto da recuperação de um Engenho falido. Em terras de reforma agrária, diversificaram a lavoura, preocupados também com o meio ambiente, e melhoraram muito a qualidade de vida de mais de quatro mil famílias. Reinventaram suas próprias vidas, num processo de desenvolvimento humano (mas também econômico) profundo.
É Possível (51’)
Desafiar abertamente os poderosos que geram pobreza, desigualdade e concentração de riquezas foi uma luta constante, desde 1984, período em que o MST se transformou em um dos mais importantes e reconhecidos movimentos sociais do mundo. Acompanhando o cotidiano em acampamentos e assentamentos no Rio Grande do Sul, marchas e enfrentamentos, mais contribuições de cinegrafistas ativistas e trechos de filmes, a reportagem traz as principais questões que envolvem o desafio de se fazer a reforma agrária.
CONTATOS:
Pedro De Camillis
51.9826.4685
pedro@coletivocatarse.com.br
Catarse – Coletivo de Comunicação
51.3012.5509
catarse@coletivocatarse.com.br
sábado, 18 de julho de 2009
Na Caros Amigos
A reportagem cinematográfica É Possível, sobre os 25 anos do MST a partir das comemorações em Sarandi/RS, material de arquivo da Catarse e de terceiros, foi notícia na coluna do Hamilton Octavio de Souza, editor da revista Caros Amigos:
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Visita
Recebemos esta semana a visita das alunas de Jornalismo do IPA Evandra, Graziele e Priscila que estiveram nos entrevistando a fim de saber mais sobre a história e as particularidades do coletivo para a cadeira de Comunicação Comunitária da faculdade.
No dia 16 de junho estaremos em sala de aula junto com elas apresentando a Catarse.
terça-feira, 31 de março de 2009
Linha de São Jorge
Em Porto Alegre a cultura anda escondida atrás das portas pequenas e abertas de poucas casas noturnas, sem convite e sem porteiro.
"Meu São Jorge desfraldado
Meu São Jorge pendurado
Na parede do meu quarto
Dai-me força pra lutar, proteção ao nosso lar
e o pão fruto do meu suor
Canto para quem quiser ouvir meu canto
Manto para quem quiser vestir seus santo
Todo canto, todo santo, todo manto,
Todo homem navegando quer um porto
Quando à noite o sol se esconde em desencontro
Quando a lua em pedaços e assombros
Todo canto, todo pranto, todo santo, todo homem
Todo homem é divino e profano
Toca fumaça pro céu
Toca sopapo pro Ogum
Pipoca e bala de mel"
Conheça o Clube Caiubi.
Fala que o brasil te escuta
Equipe da TV Brasil passou uma semana gravando 11 roteiros em Santa Maria
MAUREN RIGO, Diário de Santa Maria
A mulher sobe um degrau e passa por um enorme pano que serve de porta para o coreto da Praça Saldanha Marinho, coberto por tecidos pretos e brancos. Ela se senta em um banco e faz um grande desabafo para pessoas totalmente estranhas. Sabe que aquilo que acabou de dizer chegará a ouvidos distantes. Ela não se importa, apenas se sente aliviada.– Era uma inquietação que eu tinha. É estranho falar de sua vida sabendo que muitas outras pessoas conhecerão tua história – conta Loiva Schansis, que, minutos antes, revelou ser adotada e ter muita vontade de reencontrar os seis irmãos, que não vê há 30 anos.A experiência passada por Loiva foi a mesma que chamou a atenção de muita gente que cruzou a praça na semana passada. Um cartaz convidava as pessoas a falarem sobre culpa, revelar segredos ou fazer desabafos. As mais corajosas, entravam no coreto acompanhadas pelo som de sinos de igreja e compartilhavam suas histórias em um confessionário. Nada fugiria de uma confissão convencional, não fosse pelo detalhe que o padre era, na realidade, um câmera. As filmagens de revelações como as de Loiva são parte de um projeto para o programa televisivo Ponto Brasil e serão exibidas pela TV Brasil no segundo semestre.
O vídeo feito no coreto é um dos 11 roteiros rodados na cidade em uma parceria da TV OVO com outros grupos da produção audiovisual brasileira. A iniciativa é desenvolvida pelo canal TV Brasil e pelo Ministério da Cultura. Na prática, um equipe da emissora roda uma série de programas em diversos Estados. No Rio Grande do Sul, apenas Santa Maria foi beneficiada com o projeto do programa, que tem sede em Brasília.Parcerias – Para fazer os vídeos, a TV OVO contou com a ajuda do Cineclube Lanterninha Aurélio, além de quatro grupos de outras cidades: o Artestação (Rio Grande), o Ação Cultural Integrada (São Luiz Gonzaga) e o Quilombo do Sosapo e o Catarse (ambos de Porto Alegre). Foram cerca de 25 pessoas envolvidas. Segundo Paulo Tavares, que já fez parte da TV OVO e hoje é produtor executivo do projeto, a ideia é que se trabalhe de forma coletiva na produção dos vídeos.– Este é um projeto cultural e colaborativo. A gente (equipe da TV Brasil) vai a pontos de cultura, como Santa Maria, e propõe aos grupos diversos temas para serem abordador nos vídeos – conta ele.
Na cidade, foram escolhidos temas como culpa, que norteou a produção no coreto. Também foram feitas gravações na rodoviária, no Theatro Treze de Maio, na beira do Arroio Cadena, na Cesma e em uma sucata.Tirando os temas, há liberdade na escolha do tipo de produção, como documentário, ficção, animação etc. Cada programete terá entre 1 e 3 minutos.– Esta atividade dá projeção à cidade. Os vídeos partem de uma ideia estrangeira e pré-determinada, mas que tem realização local, já que vão mostrar para o Brasil lugares bem santa-marienses – diz Marcos Borba, da TV OVO.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Goool!!!

O artista gráfico, cartunista e integrante da Catarse, Rafael Corrêa, ganhou menção honrosa no XVII Salão Internacional de Desenho para Imprensa na categoria Cartum, com a obra Expulso. A premiação completa você pode ver em http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?reg=16&p_secao=35
quinta-feira, 12 de março de 2009
Paul Singer em Porto Alegre
Ontem, 11 de março, Paul Singer - Secretário Nacional da Economia Solidária - esteve visitando o Ponto de Cultura Quilombo de Sopapo no bairro Cristal. A Catarse vem trabalhando junto à OSCIP Guayí, coordenadora do projeto, dentro do deste Ponto de Cultura ministrando oficina de Produção Audiovisual.
Os alunos fizeram a cobertura da visita.
terça-feira, 10 de março de 2009
Mulheres da Via Campesina protestam em Candiota

Texto de Gustavo Türck
Embaixo dos eucaliptos não cresce nada. As lavouras, enormes, não empregam praticamente ninguém - nada mais correto do que chamá-las de DESERTOS VERDES.
É desolador.
Leia a íntegra no Alma da Geral.
Mais informações na sequência.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Desapropriação da Fazenda Southall na TV Brasil
A reportagem feita pelo Coletivo Catarse sobre o assentamento de centenas de famílias em São Gabriel, no interior do Rio Grande do Sul, foi ao ar na sexta, 09 de janeiro, no telejornal Repórter Brasil, da TV Brasil. A versão original tem mais de dez minutos e pode ser assistida num post anterior clicando AQUI.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Ponto de Cultura Ventre Livre
No dia 15 de janeiro, às 8h30, no Sindicato dos Metalúrgicos (Francisco Trein, 116) acontecerá o Pré-Fórum Social Grupo Hospitalar conceição e a Solenidade de Conveniamento dos Pontos de Cultura aprovados pelo GHC.
A Catarse foi a proponente do projeto Ponto de Cultura Ventre Livre (clique aqui para ter acesso ao projeto) e nos anos de 2009 e 2010 passa a desenvolver, junto à comunidade, atividades culturais ligadas à gravidez e saúde da mulher - teatro, oficinas de vídeo, de foto, de dança e intervenções - na Unidade Básica de Saúde Divina Providência - Bairro Vila Jardim.
Pontos de Cultura
O Ponto de Cultura é a ação prioritária do Programa Cultura Viva e articula todas as demais ações do Programa Cultura Viva. Iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil, que firmaram convênio com o Ministério da Cultura (MinC), por meio de seleção por editais públicos, tornam-se Ponto de Cultura e fica responsável por articular e impulsionar as ações que já existem nas comunidades. Atualmente, existem mais de 650 Pontos de Cultura espalhados pelo país e, diante do desenvolvimento do Programa, o MinC decidiu criar mecanismos de articulação entre os diversos Pontos, as Redes de Pontos de Cultura e os Pontões de Cultura. Para ler mais AQUI.
Os Pontos de Cultura aprovados via GHC.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Um ano de outro olhar na TV
Em dezembro fez um ano do Outro Olhar, um espaço para as produções audiovisuais da sociedade no jornalismo da TV BRASIL. Com cerca de três minutos, o quadro vai ar no telejornal Repórter Brasil, às 21 horas. Os vídeos são de produtores independentes, pontos de cultura, grupos sociais e cidadãos comuns.
A Catarse foi o único coletivo audiovisual contratado para produzir especialmente para o quadro. Foram três séries de reportagens: homofobia, trabalhadores de canaviais e alternativas à indústria cultural. E ainda levou para a TV a história de resistência da família Silva, primeiro quilombo urbano reconhecido no Brasil.
Depois, a direção da TV desistiu de financiar a realização das matérias. Nesse período, a Catarse produziu uma reportagem sobre a criminalização dos movimentos sociais pelo Governo do Rio Grande do Sul e por parte do Ministério Público estadual. Um assunto urgente, grave, que dificilmente ou nunca tem espaço na mídia corporativa. A negociação também foi difícil, mas no fim a telejornal veiculou parte da reportagem que produzimos.
Hoje, o quadro exibirá um vídeo que fizemos sobre o assentamento de centenas de famílias de agricultores sem-terra na fazenda Southall, um latifúndio perdido no pampa gaúcho que agora vai produzir alimentos para sociedade e dignidade para as famílias assentadas.
No final de 2008 a TV Brasil exibiu uma retrospectiva sobre o primeiro ano do quadro Outro Olhar. A Catarse esteve presente com imagens das diversas matérias que realizamos e com os últimos dois depoimentos que encerram o vídeo:
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Estamos na Southall!
Domingo, 5 horas da manhã. Escuro, muito escuro. Foi nesse horário que começamos nossa jornada ao acampamento do MST em Nova Santa Rita para acompanhar 3 ônibus que seguiriam à Southall. 3 ônibus cheios de esperanças, de uma certa apreensão, inclusive, de se perceber que aqueles 400 quilômetros seriam os mais longos da vida de muita gente.
Chegamos às 6h no acampamento às margens da BR-386. Todos já estavam prontos. Pertences empacotados, bichos de estimação, porcos, galinhas, mudas de plantas, tudo preparado para a viagem da conquista, do eldorado de pessoas que passaram na lona preta batalhando por 2, 3, 5 anos.
O chimarrão rola de mão em mão, as despedidas são muitas, a rádio-poste faz o chamamento e saúda agora aquelas famílias que deixariam de ser acampadas e passariam a se denominar, então, com um novo substantivo de vida, seriam ASSENTADOS.
Sorrisos, lágrimas, abraços... Felicidade!
Partiram sem olhar para trás, atravessando a porteira e mirando o horizonte, rumo ao sudoeste gaúcho, rumo a São Gabriel.
Neste município o Incra pretende assentar em 5 áreas cerca de 600 famílias. Especula-se um acréscimo de mais ou menos 3 mil pessoas na população da cidade, que é de 60 mil habitantes - um salto de 5%! É gente suficiente para modificar o panorama social, econômico e político do lugar.
Muitos se escabelam com essa possibilidade, outros se regorjizam, porque a Southall fica em uma área literalmente abandonada de São Gabriel. Há apenas uns 3 quilômetros de uma estrada boa, com ciclovia, inclusive, e depois só buraqueira e pontes temporárias permanentes. É bem provável que aquele lugarejo venha se tornar movimentado e que atraia mais a atenção do poder público, estruturando ainda mais a vila e movimentando o pequeno comércio local.
São conseqüências óbvias, benéficas para o município, mas muito mais está por vir. A Southall é simbólica, um marco na luta pela Reforma Agrária. Momentaneamente, Incra, MST e os envolvidos na luta se entusiasmam pensando no dia 18, no evento que dará a posse das áreas às famílias a serem assentadas, um dia que promete.
Estamos aqui para registrar tudo, e o faremos. Abaixo algumas fotos dessa primeira etapa, alguns momentos que certamente se eternizarão em nossas mentes e corações.


















As fotos são de Rafael Corrêa.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Domingo, rumaremos a São Gabriel!
Neste domingo eu e meu colega Rafael Corrêa iniciaremos uma empreitada de 4 dias acompanhando as famílias do MST que irão receber as terras desapropriadas pelo INCRA em São Gabriel.
A área mais importante e que contará com evento de entrega de posse às famílias no dia 18 é a da famosa Southall. Eleita área símbolo, teve metade de seus quase 10 mil hectares direcionados ao processo de Reforma Agrária na região.
Ao todo, serão 602 famílias assentadas em mais 4 áreas além da Southall em São Gabriel, o que promete modificar sensivelmente a economia e o panorama político do município.
Nos primeiros meses de 2007 estivemos também viajando o Rio Grande do Sul inteiro, conhecendo acampamentos e assentamentos. Vimos de perto como se encontrava o entrave na Southall, com pressão forte de ruralistas e com a brigada militar fazendo as vezes de milícia do agronegócio. A situação no município era tensa.
Finalmente o dono daquela grande área não suportou as pressões de seus credores e cedeu ao INCRA nas negociações de metade de sua área. Provavelmente muito do dinheiro aplicado ali já deva estar retornando, inclusive, aos cofres públicos enquanto o cidadão procura limpar o seu sujíssimo nome na praça.
Quem não gostou nem um pouco foram os brutamontes da Farsul, que estão indignados com o Sr. Southall e devem estar babando de raiva pelas zonas do alto meretrício da fronteira sudoeste do estado.
Vai ser uma experiência sensacional, sem sombras de dúvidas, coroando um final que pleiteávamos presenciar e registrar desde que iniciamos nosso trabalho com o movimento em 2007. Vimos surgir acampamentos, vimos áreas de assentamento de 1, 3, 7, 13 e 17 anos. Presenciamos a transformação da terra, a prova viva de que a Reforma Agrária se não é "a" solução para o Brasil, é uma das principais. Agora, vamos ver a entrega de uma área, a felicidade daquelas famílias que irão receber o seu lote e vamos conversar sobre as suas perspectivas de futuro, sobre como foi o seu período de luta, suas esperanças. Enfim, um belo "final feliz" de uma história que recém está começando.
Coisas da Catarse...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
DVD da oficina de vídeo do Boca de Rua - à venda!

DVD com os 3 vídeos realizados por moradores de rua (integrantes do Boca de Rua) numa oficina de vídeo realizada pelo Grupo de Apoio à AIDS (GAPA/RS), Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (Alice) e ministrada pela Catarse. O apoio é da Graturck.
Valor: R$23,00 (com envio) - o dinheiro arrecadado será depositado no fundo do Boca de Rua para futuros projetos.
Para adquirir enviar um e-mail para temis@coletivocatarse.com.br e para ler mais sobre este trabalho CLIQUE AQUI
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Oficinas de vídeo e lançamento do DVD do Boca de Rua
Nesta semana tive a grata satisfação de participar de uma cerimônia de formatura um pouco diferente.
Na última segunda-feira, dia 10 de novembro, ocorreu nas instalações do GAPA/RS, no Bairro Cidade Baixa, a diplomação de moradores de rua que participaram de oficinas de fotografia, internet, vídeo, entre outros.
Eu e o colega de Catarse, Rafael Corrêa, com auxílio da Têmis, ministramos a oficina de vídeo. Desta saíram 3 filmes que formam um DVD que será lançado no próximo sábado, dia 15 de novembro, a partir das 15h, na Feira do Livro de Porto Alegre. Mais precisamente na Sala do Pensamento, Armazén A do Cais do Porto.
Serão apresentados os 3 vídeos e vendidos os DVDs, com a renda sendo revertida integralmente aos participantes das oficinas.
Os 3 filmes vieram de idéias concebidas pelos próprios moradores de rua, com destaque para o pequeno curta ficção - que apresentamos aqui - A História Perdida dos Meninos da Rua, com roteiro, produção e direção dos próprios oficinandos (apenas a edição foi feita pela Catarse). Os outros dois foram um exercício de câmera, em que comentam situações corriqueiras de suas vidas, chamado Wilson que filmou Maneco que filmou Paulo que filmou Barbie que filmou Mc Dom que filmou Gilmar que filmou Chinesa que filmou Diego que filmou geral, e um pequeno documentário sobre as oficinas, com eles falando, então, de suas vidas e suas dificuldades, chamado Não Perca as Esperanças.
A nota ruim fica por conta de que dois deles - a Chineza e a Barbie - vieram a falecer recentemente, mas tiveram uma homenagem prestada no DVD, com texto da Chineza, inclusive, na contra-capa. Infelizmente, estas duas pessoas com quem convivemos algum tempo não puderam assistir em carne e osso ao seu próprio trabalho finalizado, mas temos certeza de que, se existe algo além desta vida, eles estão observando e estão muito felizes com o resultado final.
Assista ao pequeno filme aqui embaixo e compareça lá na Feira do Livro, dia 15, para prestigiar um trabalho sensacional de pessoas que são diariamente reprimidas pelo preconceito e a imposição da baixa-estima pela sociedade. É, sem sombras de dúvida, uma grande vitória.
* Relato de Gustavo Türck
** as oficinas foram uma promoção da Alice (Agência Livre para informação, cidadania e educação), via projeto do Jornal Boca de Rua, com a parceria do GAPA/RS (Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS). As cópias dos DVDs foram patrocinadas pela Graturck.







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