quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Gangue da Matriz

Escute a música composta por Tonho Crocco sobre os deputados estaduais do Rio Grande do Sul que aumentaram em 73% os próprios salários, inclusive os pseudo-comunistas escondidos atrás da bandeira vermelha.
Mais uma daquelas votações nebulosas de final de ano.



E o povo continua anestesiado.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Conselho de Saúde desaprova criação de nova fundação

Diversas entidades da sociedade civil de Porto Alegre estão se organizando contra a tentativa do governo municipal de aprovar a criação do Instituto Municipal de Estratégia da Saúde da Família (IMESF), na Câmara dos Vereadores, neste período de festas de final de ano. Estratégia bastante conhecida para aprovar projetos nebulosos.

No último dia 22, os vereadores aprovaram por 16 votos a 12, o pedido de urgência para a votação do projeto que cria a fundação. A votação será no dia 30 de dezembro, próxima quinta feira. O mais absurdo é que a Secretaria Municipal de Saúde está afundada em denúncias de corrupção que envolve uma OSCIP de São Paulo, chamada Sollus, que administrava os postos de saúde da capital, ligada ao antigo secretário Elizeu Santos, que foi misteriosamente assassinado neste ano.

Nesta terça feira, o próprio conselho de saúde de Porto Alegre enviou uma carta ao prefeito reprovando a criação deste instituto por entender que suas atribuições já existem e estão a cargo da secretaria municipal. Leia parte da carta:

Não entendemos a necessidade de ser criado órgão para desenvolver tarefas e atribuições que já são da missão da SMS, através da CRAPS (Coordenação da Rede de Atenção Primária em Saúde), e dos outros órgãos como o FMS e a CGADSS, que fazem a gestão dos recursos financeiros e humanos. O novo órgão terá uma estrutura gerencial, que, é dito que será “enxuta”, mas cujos custos nunca foram apresentados ao Grupo de Trabalho. No entanto, as referências salariais dos cargos de direção são bastante superiores às percebidas pelos servidores de carreira da PMPA. Como serão todos Cargos Comissionados, preocupa-nos a possibilidade de serem ocupados por pessoas não qualificadas, afilhados políticos, ou mesmo por aqueles que representam o interesse do setor privado que, ao se inserir “dentro” do público, o fazem sem o compromisso de atender o coletivo, o social.

Temos que impedir esta votação no dia 30 de dezembro. Mais informações no blog Não à Fundação. Participe do abaixo assinado contra esta votação.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Saco é um saco

Apesar do apoio de empresas que enchem muito o saco, e que depois usam outro saco para promover ideias que só ficam bonitas quando se transformam em produtos, a campanha do Ministério do Meio Ambiente tá muito bacana:





terça-feira, 21 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Grafitis LAVACA

Grafismos da Cooperativa LAVACA.

O jornal MU chegou a 5 anos de circulação com uma tiragem de 10.000 exemplares. Um exemplo de imprensa livre.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"O GRANDE TAMBOR" NO AFRO-SUL ODOMODÊ


Nesta quinta-feira, às 21h, teremos exibição especial do documentário "O Grande Tambor", seguido de música ao vivo. Esta celebração da cultura afro-gaúcha será no Instituto Afro-Sul Odomodê (Av Ipiranga, 3850), com ENTRADA FRANCA!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sabor local na merenda dos alunos

A nova Lei da Alimentação Escolar exige, desde 2009, que as escolas comprem, no mínimo, 30% de alimentos produzidos pela agricultura familiar. No município de Maquiné, litoral norte do Rio Grande do Sul, um grupo de agricultores se uniu para fornecer produtos frescos, com o compromisso da regularidade. A organização dependeu da aproximação deles com entidades que atuam para o desenvolvimento rural e com a administração pública. O acordo estabelecido com a Prefeitura garante, desde o mês de agosto, a entrega para 11 escolas na rede municipal. São 600kg de alimentos por vez, distribuídos em cerca de 50 caixas.


Mariana Ramos, nutricionista da ONG ANAMA, participa da equipe que faz o meio de campo, recolhendo na roça e levando para as crianças. Essa é uma das ações do projeto que ela ajuda a coordenar: Agroecologia e Agricultura Familiar, financiado pelo Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania. Na entrevista a seguir, detalhes dessas mudanças.

O fornecimento de alimentos para a merenda escolar, em todo o Brasil, está passando por transformações há quase um ano. Por que?
Mariana - Com a aprovação da lei 11.947, em junho de 2009, o Brasil passa a regulamentar a sua política de alimentação e nutrição mais antiga – o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Criado em 1955, o PNAE atende hoje cerca de 47milhões de crianças e jovens, sendo destinado a todos os alunos das redes públicas e filantrópicas de ensino no Brasil, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.
A lei institui, dentre outras questões, a obrigatoriedade da compra de no mínimo 30% dos recursos repassados pelo governo federal aos estados e municípios em alimentos produzidos pela agricultura familiar das próprias localidades e regiões. A implementação desta lei e, particularmente, a compulsoriedade da aquisição da agricultura familiar tem promovido muitas reuniões, desafios e aprendizados aqui no município de Maquiné.
Para que a agricultura familiar consiga abastecer as escolas, com alimentos de qualidade, com regularidade e compromisso, é preciso todo um processo de organização dos agricultores e de aproximação entre administração pública, escolas, agricultores e entidades que atuam com o desenvolvimento rural. Em Maquiné, estamos nos reunindo e construindo uma experiência de entrega da agricultura familiar desde maio deste ano. Conseguimos realizar a primeira entrega em agosto, de um total de 10 entregas que deverão ser feitas até o final do ano, conforme o contrato estabelecido entre Prefeitura e agricultores familiares em julho.

Leia a entrevista na íntegra.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O GRANDE TAMBOR

Documentário do Coletivo Catarse que estréia em Porto Alegre no dia 13 de dezembro, 20h no CineBancários e no dia 16, 21h no Afrosul Odomodê.




Visite o site do projeto, clicando aqui.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Massa Crítica de Porto Alegre

Reportagem do Coletivo Catarse sobre a Massa Crítica, celebração de ciclistas na busca de meios de transporte sustentáveis, como a bicicleta. Visando visibilidade e respeito em meio a selva de pedra nas grandes cidades do mundo. Veja a reportagem sobre este movimento em Porto Alegre.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Justiça Estadual autoriza grilagem em prédio de moradia popular

por coordenação da Comunidade Autônoma Utopia e Luta

Poder Judiciário Estadual autoriza "grilagem" no primeiro prédio público brasileiro destinado à moradia popular, prejudicando família realmente necessitada e que, de fato, faz uso social do imóvel.

Família está sendo despejada de forma irresponsável pela Justiça

No dia 02 de dezembro passado, o Juiz Flávio Mendes Rabelo, pertencente a 16ª vara do Poder Judiciário Estadual, demonstrou mais uma vez a insensibilidade da Justiça gaúcha diante de um caso de exclusão social, dando parecer favorável a grilagem e a especulação imobiliária.

A beneficiaria de uma das unidades habitacionais no prédio da Comunidade Autônoma Utopia e Luta, Patrícia Silva dos Santos, conhecedora de todos os critérios do projeto social, nunca fez uso do imóvel desde a sua regularização (que aconteceu há dois anos), caracterizando abandono. Em várias ocasiões foram criados espaços de conciliação, negados por Patrícia, que demonstra através de suas atitudes a intenção de se utilizar do recurso público federal para fins de grilagem imobiliária, tentando por duas vezes alugar o espaço de moradia para terceiros, desrespeitando assim os critérios e acordos coletivos dos moradores e a função social do apartamento.


Depois de várias tentativas de solucionar a questão da unidade abandonada por 20 meses, a unidade habitacional foi ocupada por uma família, formada pela mãe solteira e suas duas crianças, uma delas com paralisia cerebral, que residiam na beira de um valão em zona de risco, no bairro Três Figueiras.

Atualmente, ela e as crianças estão recebendo melhoras no atendimento médico e social por parte de entidades parceiras, obtendo um melhor acesso aos serviços públicos e contando com o apoio solidário da comunidade Utopia e Luta, que com essas ações faz cumprir a função social da unidade de moradia, conforme contrato realizado com a Caixa Econômica Federal.


Mas para surpresa de todos, o juiz Flávio Mendes determinou o despejo da mãe com as crianças, declarando que o direito à propriedade é inviolável, e que questões de assistência social seriam competência de outras áreas. Com esta atitude, o juiz desrespeita os artigos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), os contratos realizados com a Caixa Econômica Federal, que assegura a legítima função social da unidade habitacional, colocando a Justiça do RS ao lado da especulação imobiliária e grilagem em projetos que recebem recurso público.

Para nós, moradores da comunidade autônoma UTOPIA E LUTA, ficam alguns questionamentos:

- Os recursos públicos podem ser usados para especulação imobiliária?

- O Estatuto da Criança e do Adolescente permite este modelo de injustiça social?

- Será que esta medida insensível e irresponsável não pode gerar um precedente, construindo assim um novo modelo de corrupção e desvio dos recursos públicos?

Convocamos todas as forças sociais do país a se manifestarem, e rejeitar esta medida que coloca a questão da propriedade acima da humana e viola os direitos do cidadão em estado de exclusão.


Entenda o projeto da Comunidade Autônoma Utopia e Luta:

Financiado pela Caixa Econômica Federal pelo programa Crédito Solidário, com incentivo do Ministério das Cidades, é o primeiro prédio abandonado do INSS a ser revitalizado para moradia popular. O processo se deu após a aprovação da lei 11.461, em maio de 2007, que permite que os imóveis abandonados da União possam ser repassados para entidades sociais com fins de moradia, para população de baixa renda.

O antigo prédio do INSS, na Avenida Borges de Medeiros, 727, depois de ter sido ocupado em 2005 nas vésperas do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, é na atualidade o único prédio no país que conseguiu esta regularização e desenvolve um programa de inclusão social inédito no Brasil, em parceria com entidades sociais, sindicais, órgãos federais, governos municipal e estadual. Reconhecido pela ONU-Habitad, que neste ano de 2010 convidou integrantes para apresentar esta experiência em seminário internacional na Cidade de Istambul, Turquia, com países de diferentes regiões do mundo, para debater o tema dos despejos forçados e direitos humanos.


Desde maio de 2009, o projeto se desenvolve com os princípios da autogestão, com padaria comunitária, lavanderia, atelier de costura, serigrafia, horta comunitária no terraço, teatro e espaço de educação infantil, que se encontra em fase de desenvolvimento recebendo o apoio da Petrobrás, da CGTEE, e Colégios Maristas RS (com um centro de inclusão digital), Embrapa, Sindicato de Metalúrgicos, com o fundo de apoio solidário e Unisol Brasil, rede de cooperativas de economia solidária.

Os serviços de manutenção do prédio, como limpeza, portaria e lavanderia são realizadas pelos próprios moradores em escala coletiva e mutirões, a fim de evitar custos que comprometeriam a renda de sustento familiar. Os resultados durante estes meses de ocupação têm sido animadores, homens e mulheres retomando os estudos, melhorando a qualidade de suas ocupações empregatícias, vestuário, alimentação transporte público e saúde. Crianças praticando esportes, melhorando sua qualidade de educação e aprendizado permanente na vida social comunitária. Em outras palavras, dignidade cidadã, que é inalienável direito de cada ser humano.

ATENÇÃO: CONVOCAMOS TODAS AS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS, MILITANTES E ATIVISTAS PARA O ATO DE RESISTÊNCIA "SOMOS TODOS UTOPIA E LUTA". NESTA QUINTA FEIRA, 09/12, A PARTIR DAS 13H ATÉ AS 18H30MIN. CONTRA A AUTORIZAÇÃO DE GRILAGEM POR PARTE DA JUSTIÇA DO RS. ESTAREMOS TODOS REUNIDOS EM FRENTE AO PRÉDIO, NA ESCADARIA DA BORGES, 727.

POVO DA COPA

POVO DA COPA

Despejados pelo conforto
Desalojados em nome do
desenvolvimento
Retirados, removidos,
promovidos?

Exilados em nome do deus...
futebol
Vidas escanteadas para lá da
linha de fundo

Incertezas, dúvidas, angústias como em uma cobrança de pênalti
Em jogo o lucro de poucos e as milhares de vidas
De um lado o luxo dos ricos, do outro a miséria dos pobres
Tudo em nome das chuteiras da pátria.

(R.BRIZA) integrante do Utopia e Luta

sábado, 4 de dezembro de 2010

PARADA LIVRE de Porto Alegre

O Coletivo Catarse realizou uma reportagem sobre a 14ª Parada Livre de Porto Alegre, realizada no último dia 28 de novembro no parque da Redenção. Milhares de pessoas participaram da Parada que consiste na maior manifestação pública do Movimento GLBTS. Confira a reportagem.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

RBS no Osso

Relato enviado por Ana Campo sobre atuação da gorda mídia no último final de semana:

"Era o auge de três dias de ensinamentos, rituais, medicina Kaingaing. O tradicional batizado no qual o chá frio é bebido e derramado sobre a cabeça, também serve de cura àqueles que já passaram pelo bautismo. Pajés do interior do estado estavam no Morro do Osso, localizado na zona sul de Porto Alegre, para o evento organizado pela comunidade Kaingaing que lá vive desde 2004, composta por 31 famílias.

Eu fui de ônibus Serraria que me deixou na boca do morro. A vista, o guaíba, deslumbrantes. Até os índios o caminho é de casarões e silêncio desértico, a subida convida a perder-se e achar alguém para certificar-me de que a memória não anda tão mal é tarefa difícil. Quem existe ali são os porteiros, pintores, seguranças. Por sorte, abordei uma moradora saindo de casa, arredia abriu a janela do carro e me deu indicações. Chegando à comunidade, o cenário é outro. O conforto? Do lado de fora, entre as árvores, à sombra, as casas de madeira apenas necessárias. Muita gente, música e a alguma fumaça das ervas em queima para preparação do chá.

Não estava lá para ser batizada, curada ou passar por qualquer manifestação estranha a meu ceticismo e sim para aprender sobre ervas e rever os amigos Kaingaingues sempre ativos culturalmente e lutadores cônscios de seu direito à moradia e da garantia do respeito à sua ancestralidade.

Na fila do chá, uma repórter. Televisiva, ela anunciava em alto e bom som que seria batizada, o cacique alertou: - Será curada. Biólogos, antropólogos, amigos, registrávamos aquele encontro de pajés com nossos mega pixels. O estranhamento já estava quase brechtiano sob a literal narração de cena protagonizada pela repórter quando o “câmera”que a acompanhava escrachou de vez e bateu boca com Luis, que fotografava ao lado. A disputa? Por espaço para captar as imagens.

A discussão não teria cabimento ali, em meio aos pajés, em meio a tudo. O cacique interveio prontamente e exerceu a liderança que lhe foi incumbida, pela qual responde diariamente e, durante a qual foi covardemente baleado pela Brigada Militar em operação da SMIC em pleno Brique da Redenção. E o cacique Valdomiro disse à equipe da empresa de comunicação mais poderosa do estado que ali não era local de intolerância e prepotência, que todos ali tinham direito ao registro, que nenhum convidado seria desrespeitado e mais, que dali saíssem imediatamente e deixassem as imagens como prova cabal de quem tumultuou a cerimônia.

Candidatos de A a Z que se aliam ao diabo para ter mais dois minutinhos de tv durante as campanhas eleitorais, pasmem, o cacique pôs a RBS morro abaixo. E tudo continuou como previsto, os pajés batizando, quem desejava devidamente batizado, a música testemunhando, as câmeras registrando, eu anotando. O cacique pedindo desculpas pelo comportamento, dos outros. Meu vegetarianismo não ficou para o churrasco. O ceticismo? Nunca em relação ao ser humano, em meio a debates infindáveis e abstratos sobre democracia e direito na sociedade de classes pós-moderna, o cacique provou que sua ancestralidade entende de democracia, direito e dignidade. Que democracia é qualquer coisa menos o aparente multiculturalismo apresentado pelo monopolismo.

A disputa por espaço? Disso o Maurício, a Ione, o Jayme, a Marlene entendem muito bem, afinal, os “empreendimentos” de RBS/MAIOJAMA desejam, de um jeito ou de outro, estar no morro para captar as melhores imagens".

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Parada Livre de Porto Alegre


O Coletivo Catarse fará a cobertura da parada livre que será no próximo domingo no parque da redenção. Mesmo com as ameaças homofóbicas de grupos nazista gaúchos, divulgados na mídia comercial, o movimento GLBTS aumentará a festa que consiste na maior manifestação pública do movimento social.

Participe!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia"



Está imperdível a postagem "Estava autorizado a cascatiar", do blog Ponto de Vista, por W.U.

Há 6 anos tentamos, pelo Coletivo Catarse, fazer JORNALISMO, como sempre nos orienta Ungaretti. Não abrimos mão de esticar a corda até o limite em qualquer trabalho que façamos. Já fomos censurados algumas vezes, das formas mais esdrúxulas possíveis. Toda vez que dividimos nossas angústias com o professor sobre esses momentos, ele sempre nos indica o caminho da certeza: "Se eles censuraram, é por que vocês acertaram na veia".

Fui testemunha de defesa do dois processos absurdos movido pelo fotógrafo do Grupo RBS contra W.U. e pude confirmar que tudo não passaria de um sujo jogo de cena, se não fosse a ousadia e firmeza do Ungaretti, que deixou registrado para a história da Justiça os valores primordiais da ética de nossa profissão. Numa das audiências do criminal, acompanhei do lado de fora da sala o passa-régua que Ungaretti deu no showtógrafo durante mais de 90 min, sendo ainda interpelado por uma promotora do Ministério Público e pelo juiz. Escutava, sem muita definição, a voz firme e alta do Velho durante o tempo todo que falava - a situação tinha engrossado. Quando saiu da sala, Ungaretti parecia flutuar dois dedos do chão. Olhou nos meus olhos e no do Adriano Santos [Celeuma] e soltou: "Acabei de lavar a alma".

Espero que a Justiça libere o quanto antes o depoimento desse dia para publicação. Já escutei a leitura de várias partes e é um documento primiroso de enfrentamento à gorda mídia. "Deixei registrado quase tudo que considero importante nesses 40 anos de jornalismo que vivi. Agradeço imensamente a oportunidade", me dizia ele, repetidas vezes, naquele dia.

Leiam a porrada:

"Continuo impedido de – livremente – comentar determinadas matérias e fotos de Zerolândia (jornal Zero Hora/RBS). Estou submetido a uma multa diária de 150 reais caso desrespeite esta determinação da Justiça. As ações foram movidas por um funcionário com 35 anos de firma. Uma cria da Casa, como se diz. Em primeira instância, na espera criminal, fui absolvido. Existe a possibilidade de recurso por parte do funcionário/RBS. Ele está obrigado a pagar as custas do processo e o meu advogado. Estou com todo o conteúdo da revista eletrônica Pontodevista – trabalho de sete anos – fora da rede, material que era usado em atividades didáticas de ensino de jornalismo na UFRGS. Não havia como “limpar” este material dos conteúdos que motivaram as ações. Escrevo estas notas, periodicamente, não só para informar os novos leitores do Blogpontodevista, mas para que cerca de 150 a 200 leitores diários, em Brasília, tenham consciência dos mecanismos de censura a que estão submetidos jornalistas que trabalham com a Internet, como último espaço que, em princípio, seria possível exercer a crítica. Resolvida esta pendenga, favorável ou não a Pontodevista, irei apenas assinalar que os meus reais objetivos já foram alcançados. Deverei ressaltar também que, independente do resultado final, continuarei sendo o professor Ungaretti, cuja história é de 45 anos de militância política (dois de cadeia), 40 de exercício do jornalismo, e quase 20 como professor. E nenhum prêmio. Ainda, em um outro momento, pretendo agradecer a todos os integrantes da rede de conivências corporativas por não terem se manifestado em solidariedade. Mesmo sabedores de quem eu sou e da minha história, assim como sabedores, também, do histórico do funcionário/RBS. Caso isso acontecesse teria ficado em uma situação de absoluto constrangimento e sob suspeitas. Não é por acaso o silêncio. É preciso ressaltar, ainda, que não por qualquer tipo temor abandonamos a crítica diária a Zerolândia. É uma prática repetitiva. Este espaço pode ser ocupado por outros até mesmo como aprendizado. Só enventualmente estaremos analisando uma ou outro aspecto, mas muito mais com o espírito de não perdermos o treino. Não é mais o centro de nossa atividade. E, ao final de todo esse processo, em caso de uma solução favorável, não temos a mínima intenção de qualquer comemoração. Pelo contrário. Ficará apenas a lástima de não termos ampliado, na ocasião, as críticas a todos os que foram coniventes com as práticas do funcionário. O cara fazia o que fazia com autorização, ou no mínimo com a omissão, do chefe da fotografia e do editor do jornal. Poderia dizer muito mais, mas quero distância de tudo isso. Alguém, também, deve ser responsável pela matéria “O estatuto do desarmamento bandido da Vila Cruzeiro”.

quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia

“fui avisado por um ‘colega’ que não era saudável ler teu blog (PONTODEVISTA) na redação (ZH) nem dizer-se teu amigo logo que comecei lá.” Reproduzi, no Facebook, este pequeno trecho de um e-mail que foi enviado por um ex-aluno. E a seguir fiz o seguinte comentário: alguns ex-alunos me confirmaram este comentário. Um Bundão, da velha geração, chegou a pedir para uma ex-aluna defender o carinha que está me processando. Pode isso seu Richardo Chaves, o Kadão? Essa informação conta ponto prá ti na firma? Faça bom proveito! E você me conhece desde dos tempos da sucursal da Veja dirigida pelo Paulo Totti. Quero ser processado por todos vocês. É uma grande oportunidade de deixar registrado, nos anais da Justiça – para a história – o que penso deste lixo de jornalismo. Mesmo que isso me custe o quase nada que eu tenho.

quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia

todos foram coniventes com as cascatas. Ninguém é inocente nesta parada. O fotógrafo é um coitado, instrumentalizado pelos editores. Estes instumentalizados, conscientemente, pelo PRBS para quem venderam a alma. Só falta quererem me provar que o Marcelo Rech e o Ricardo Chaves (Kadão) não sabiam que cascata é cascata. Juro, quero distância de tudo isso. Não tenho interesse nesse confronto. Até pelo simples fato de que tenho consciência de não sou nada diante do crimonoso poder do PRBS. Quero o exílio. Quero ser esquecido no ambiente da categoria, assim como na área do ensino de comunicologia da UFRGS. Mas tenho certeza de que serei lembrado pelos jovens JORNALISTAS paras os quais consegui doar meus conhecimentos e minha alma.

quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia

alguém aí em Brasília está lendo o que escrevo? Sei que tenho pelo menos de 150 a 250 leitores lá por aquelas bandas. Preciso respirar. Quero que fique assegurado meu direto de dizer o que penso. Logo que essa parada ficar res0lvida, independentemente de ser a meu favor ou não, vou escrever um texto de agradecimento a todos os integrantes da rede de conivências corporativas por não terem se solidarizado comigo. Caso isso acontecesse estaria, hoje, sob suspeita. Obrigado companheirada do Sindicato, da ARI, da Fenaj e a todo mundo acadêmico que sabe o que represento como professor. Obrigado Bundões por não terem dito nada a meu favor. Boa parte das manchetes, de Zerolândia (nas últimas semanas) estão na mesma linha da edição de hoje (Investigada conexão gaúcha em plano de atacar polícia do Rio). Foram construídas em cima (do pode ser oriunda), de suposições e informações recebidas. São também, em grande parte, matérias que os velhos jornalistas chamavam de “matéria de gaveta”, aquela que pode ser publicada qualquer dia. Esta em andamento uma retomada da subjetividade reacionária que nos ameaça com a ameaça de um incontrolável clima de violência total. Ou tou ficando maluco!

incansável e repetitivamente: quero minha liberdade de crítica. por ela já dois anos na cadeia

Sim, maluco beleza eu sempre fui e dos tempos anteriores à militância política, bem antes da década de 70. Fui criado na periferia. Sou filho de um operário metalúrgico e uma mãe costureira. Fui criado com a “negrada” do nosso país.

ainda vou fazer de todas as minhas escrituras um único estilete".

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Semana da Consciência Negra - Reportagem na íntegra

A reportagem realizada pelo Coletivo Catarse para abrir a semana da consciência negra na Tv Brasil, teve uma versão reduzida em função do tempo disponível no telejornal. Veja a reportagem na íntegra.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

LLAMADA PORTO ALEGRE: oficinas de candombe e encontro de tambores

LLAMADA PORTO ALEGRE
Oficinas de candombe e encontro festivo com tambores uruguaios e brasileiros
Convidado especial: Sebastián Jantos* (Uruguai)

No mês da consciência negra, Tamborearte Produções e o Centro Cultural Afro-Sul Odomodê promovem a integração de tambores brasileiros e uruguaios. O evento aconterá em dois momentos: uma oficina e uma festa, ambos ligados ao candombe, cultura popular e tradicional afro-uruguaia tocada e dançada principalmente no período de carnaval.

A oficina acontecerá em três módulos progressivos, dias 24, 25 e 27 de novembro, das 19h às 21h. No sábado, último dia da oficina, será realizado um encontro festivo na qual o oficineiro, compositor e multi-instrumentista uruguaio Sebastián Jantos e seus convidados especiais (Filipe Narcizo, Lucas Kinoshita e Zé Ramos) farão um show autoral para abrir a noite. Seguem a festa o grupo Maracatu Truvão e a cuerda de candombe do oficineiro, Guerreros Ijigbò. Por último, e em comemoração ao legado percussivo africano, as alfaias e os tambores uruguaios farão uma integração com tambores irmãos. Dentre eles, o gaúcho tambor de sopapo, os djambês do Odomodê Tambor, os berimbaus e os tambores de Maçambique do Nação Periférica.


Durante a festa, os oficinandos terão a oportunidade de mostrar o resultado tocando juntos em uma comparsa, formação com grande número de tambores de candombe. O grupo Africanamente fará uma roda de capoeira Angola e nos intervalos das apresentações, Lucas Luz discotecará seu set cheio de ritmos das diversas culturas tradicionais e populares do Brasil. Dentre eles, côcos, maracatus, congados, carimbós, cirandas, caroços, bandas de pife, afoxés, jongos, sambas de roda e é claro, candombes e murgas uruguaias.


Oficina: 24, 25 e 27/11
Horário: 19h -21h
Investimento: R$ 20,00 cada módulo, pacote antecipado dos 3 módulos R$ 50,00.

Festa Show: 27/11
Com Sebastián Jantos e convidados, Cuerda Guerreros Ijigbó, Maracatu Truvão e tambores irmãos.
Horário: 22h
Ingresso: R$ 8,00

*Sebastián Jantos é músico e multi-instrumentista: arranjador, compositor, toca percussão, baixo, guitarra, violão, acordeón e canta melodias com peculiaridades rítmicas. Apreciador e pesquisador da música brasileira, tem feito shows por Maranhão, Ceará, Santa Catarina, Curitiba, Porto Alegre, Pelotas, entre outros. Sebastián tem um CD lançado intitulado “Fui Yo” e está gravando outros 2, “Hoy” (também solo) e “Próximo”, com Javier Cardellino. http://www.myspace.com/sebastianjantos

Oficina de Percussão:
Tambores de Candombe, com Sebastián Jantos (Uruguai)

O Candombe é uma manifestação da cultura popular uruguaia com suas raízes na herença percussiva africana. Os tambores são tocados nas ruas, principalmente nos carnavais e feriados, acompanhados de muita dança. Em grande número, os tambores consituem uma comparsa e em menor número são chamados de cuerda, que deve ter no mínimo 3 tambores: o chico (mais agudo e com função de condução), o repique (médio e responsável pela clave e floreios) e o piano (o mais grave e que dá a marcação), cada um tem uma técnica específica de ser tocado.
Com foco na prática e integração dos participantes, a oficina abordará alguns ritmos tocados no carnaval Urugauio, como o Candombe, a Habanera, o Milngón e os Afros, além da contextualização e história da música afro-uruguaia.

Datas: 24, 25 e 27/11 (quarta, quinta e sábado).
Local: Afro-Sul Odomodê (Av. Ipiranga, 3850).
Horário: 19h às 21h.
Faixa etária: a partir de 13 anos.
Nível: não há pré-requisitos. Se tiver tambor de Candombe e baquetas, favor levar.
Preço: R$ 20,00 o dia de oficina. Pacote com os 3 módulos R$ 50,00 até 22/11.

Inscrição e reservas:
Pelo e-mail: jumkino@terra.com.br , aos domingos no Odomodê, das 12h às 15h no restaurante Mantra (Rua Santo Antônio, 372) ou no instituto de bateria Bateras Beat (Rua Garibaldi, 698).
As inscrições só serão efetuadas a partir do pagamento e as vagas são limitadas.


Módulos da Oficina de Candombe:

Módulo I
01. Introdução;
02. Construção, desenvolvimento e evolução do gênero em um marco de referência geográfico e temporal;
03. Primeira aproximação aos elementos musiciais do candombe;
04. "Ping-Pong" de perguntas e respostas.

Módulo II
06. Estudo pormenorizado dos elementos musicais do candombe (os tambores, sua técnica de execução, os padrões rítmicos e suas variações conforme os bairros de Montevidéu;
07. Prática com os participantes.

Módulo III
08. Prática com os participantes;
09. Introdução a outros ritmos tocados nas "comparsas afro-uruguaias"
10. Formação de uma "cuerda de tambores" para sair na rua tocando.


Assuntos Abordados
ANTECEDENTES HISTÓRICOS:
Orígens
As nações
Das nações às sociedades
As comparsas das sociedades de negros e “lubolos”
Os tambores
Os bairros

A MÚSICA AFRO-URUGUAIA:
A expressão musicalo afro-uruguaia
O tambor
Toques básicos
A música dos tambores
Toques de madeira
Toques de piano
Toques de chico
Toques de repique
Música que executam os tambores nos cenários de carnaval.
Milongón
Habaneras
Afros

APOIOS: Ponto de Cultura Ventre Livre, Catarse Coletivo de Comunicação, Nazari Stúdio, FÉsta Pesquisas em Culturas Populares e Tradicionais, Instituto de bateria Bateras Beat, Bataclã FC, Nação Periférica, Mantra Restaurante, Africanamente, Maracatu Truvão e Pizzinha.

REALIZAÇÃO: Tamborearte Produções.


Uns vídeos:

Sebastian Semperena da Cuerda Guerreiros Ijigbò: http://www.youtube.com/watch?v=akKcX-aZCs4&feature=mfu_in_order&list=UL

John Silva do Nação Periférica: http://www.youtube.com/watch?v=bV14Tqpg7xQ&feature=mfu_in_order&list=UL

Edson Angoleiro do Africanamente: http://www.youtube.com/watch?v=UEtwvU_cmaI&list=ULUIcuzlvm3xE&playnext=1

Lucas Kinoshita da Tamborearte: http://www.youtube.com/watch?v=zGZr4daXLQg

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Semana da Consciência Negra

O Coletivo Catarse realizou reportagem que foi ao ar na terça-feira na TV Brasil sobre a Semana da Consciência Negra. Tratando em depoimentos da criação da identidade negra no Brasil, expõe um pouco do questionamento de um povo que sofreu humilhações desde a sua chegada no país e que, com muita forçca, consegue passar adiante o orgulho de ser negro.



Alguns desses depoimentos são parte do filme O Grande Tambor, que o Coletivo Catarse está produzindo e que será lançado em dezembro. A montagem da matéria é de Sérgio Valentim e Jefferson Pinheiro.

Hoje ato Diálogos na Esquina

por Levanta Favela

A Rede Brasileira de Teatro de Rua (RS) convoca a todos para participar do Ato Diálogo na Esquina. Ato em repúdio ao desrespeito com os artistas, à autorização para apresentações e cobrança para utilização de espaços públicos, que pertencem a todos nós!

Dia 17 de Novembro, 4ª feira, a partir do meio-dia.
NA ESQUINA DEMOCRÁTICA, CENTRO de Porto Alegre.

Com as seguintes apresentações e performances teatrais, musicais e poéticas:

12:00:Abertura com batucadas, Leitura do Artigo V, distribuição de panfletos.
13h: Apresentação Grupo TIA
14h: Apresentação Artistas da Fome.
15h: Apresentação Caio.
16h: Roda de Capoeira.
17h: Apresentação Cia UmPédeDois
18:30: Apresentação da Oficina de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA...

Artigo 5º da Constituição Federal

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito a vida, a liberdade, a igualdade.

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Compareça com sua voz, com seu instrumento, com sua performance...

Para saber mais a respeito da razão do ato acesse os links:

Escritora realiza performance na Feira do Livro e é retirada por policiais
http://www.radioguaiba.com.br/Noticias/?Noticia=221522

Árvore em Fogo e a repressão Policial: policia tenta parar apresentação do Levanta FavelA na esquina "democrática"!
http://www.youtube.com/watch?v=CWYnC2p2BWo

Choque de ordem contra a cultura popular
http://www.uneafrobrasil.org/politica_008.php

Cerco do Estado Brasileiro Contra os artistas de Rua e os Blocos de Carnaval
http://bandolatrupe.blogspot.com/2010/11/cerco-do-estado-brasileiro-contra-os.html


Em protesto, artistas de rua 'enterram' liberdade de expressão em São Paulo
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/artistas-de-rua-se-mobilizam-e-enterram-liberdade-de-expressao

“Teatro de Rua está na Constituição”
http://www.cooperativadeteatro.com.br/2010/?p=1463

domingo, 14 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Contraponto para levar economia solidária à universidade

O Núcleo de Economia Alternativa e a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UFRGS, em parceria com a COCEARGS - Cooperativa Central dos Assentamentos do RS convida para a inaguração oficial do CONTRAPONTO - Entreposto de Cultura, Saúde e Saber. Nesta quarta, 10 de novembro.

Um Espaço de Comercialização Solidária localizado dentro do Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ao lado da Faculdade de Educação (FACED). Propõe uma nova forma de pensar o consumo, valorizando processos saudáveis e justos com o trabalhador, sociedade e meio ambiente, além de comunicar às pessoas que circulam pela universidade conceitos e práticas como agroecologia, bioarquitetura e autonomia.


Programação Cultural:

8h30: Montagem de Geodésica
10h45: Inicio Feira de Trocas (utilização de moeda social)
13h00: Bate-papo sobre função da Feira de Trocas
14h30: Intervenção musical com Levante Popular da Juventude
16h30: finalização da Feira de Trocas
17h00: Atividade Solene na sala 101 da FACED - Faculdade de Educação da UFRGS.
19h00: Musicas autorais com Seu Pedro – Victoryes.
20h00: Musica com Palco Aberto

MAIS INFORMAÇÕES:
neaufrgs.wordpress.com
neaufrgs.itcp@gmail.com

sábado, 6 de novembro de 2010

Estação Ferrinho 47 anos

Programação cultural celebra os 47 anos do Grêmio Esportivo e Cultural Ferrinho

Desde o dia 03, o Grupo Trilho de Teatro Popular promove o evento Estação Ferrinho 47anos (Av. Dona Teodora, 1250, Humaitá). Para comemorar mais um aniversário do Grêmio Esportivo e Cultural Ferrinho, foram programados espetáculos de teatro e de música abertos à comunidade (entrada franca), representando mais uma vez a importância de sua existência.


Inaugurado em 1963, o Ferrinho fica a cada dia mais cheio de vida. Começou Ferrovia e, resistindo ao tempo, hoje representa tanto a memória como o futuro da comunidade do Humaitá, além de abrir seu horizonte a novos parceiros por toda Porto Alegre. A manutenção das atividades do Ferrinho possibilita fazer arte e fruir arte, além de proporcionar diálogo e construção, com toda a rica e histórica bagagem do trabalhador ferroviário.

Ainda dá tempo de participar:

DIA 06/11 SÁBADO 18 HORAS

“ESTACÃO DESCENTRALIZADA: Teatro Popular (?)” Bate-papo com o deputado estadual Raul Carrion, o professor de teatro da UERGS Carlos Mödinger, o coordenador de artes cênicas da Secretaria Municipal de Cultura, Breno Ketzer e os artistas interessados na temática. Após o bate-papo, está programado um coquetel ao som da MPB do Grupo UPA.

DIA 07/11 DOMINGO 20 HORAS

“A História da Tigresa” Conta a homérica história de um soldado chinês que por motivos alheios se separa de sua tropa. Entregue a sua própria sorte, ele se vê obrigado a salvar o único fio de vida que lhe resta. Enfrenta tempestades, avalanches de água, escala montanhas, corre por descampados enormes, sobe encostas, até que encontra uma gruta onde pode se abrigar. Entretanto, ali também é morada de uma tigresa e seus filhotes. Surpreendentemente ele não vira comida de tigres. Ao invés disso começa uma relação nada comum entre um homem e um animal. Texto de Dario Fo. Espetáculo da Cia. Destemperados, atuação de Anderson Balhero.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Filas do SUS em Porto Alegre: a prevalência do abandono

Antes do dia chegar, quando a noite ainda dorme mergulhada no escuro, os que precisam do Sistema Único de Saúde já estão na rua. Esperam nas calçadas, contra as grades e os muros dos postos de saúde, às vezes no frio e na chuva, a chance de encontrar um médico.

Em Porto Alegre, são estes locais os responsáveis pelo atendimento básico à população. Em frente às unidades de saúde, a precariedade na oferta de consultas faz com que as pessoas se organizem como podem, antes do expediente começar. Procuram o abrigo que não tem, disputam um lugar, chegam a brigar por uma ficha. O poder público sabe, mas se omite. Só que o problema está na sua porta. Se houvesse médico para todos isso aconteceria?

O Coletivo Catarse, com apoio do Sindisprev-RS e Simers produziu uma reportagem em vídeo de 48 minutos sobre esta situação. Será exibida nesta quinta, no auditório do Sindisprev RS, seguida de debate. Você está convidado.

Dia 04 de novembro de 2010 (quinta-feira), às 18:30h.
Sede do SINDISPREV RS – Trav. Leonardo Truda, 40 – 12º andar. Centro de Porto Alegre.


Abaixo, um trailer do vídeo:

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quilombo dos Silva no Desinformémonos

Desinformémonos para nos informar: "Aderimos às batalhas que se passam 'abajo y a la izquierda', à margem do poder e dos poderosos. Estamos do lado da autonomia dos povos, pelo direito a decidir sobre nossos próprios destinos. Somos, sem ambiguidades, fruto de uma luta que, desde 1º de janeiro de 1994, nos transformou: o levantamento do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). E é no terreno da 'desinformação' que atuaremos", disse a jornalista Gloria Muñõz ao jornal Brasil de Fato. Publicamos esta 'desinformação' aqui, em abril deste ano.

Agora, quando chegamos em novembro, tempo de nunca esquecer de lembrar de Zumbi e de João Cândido, de Maria Firmina dos Reis, e de cada mulher e homem negro que nos educa enquanto resiste, o Desinformémonos traduz para espanhol e veicula a reportagem que fizemos sobre o primeiro quilombo urbano reconhecido e titulado no Brasil: o Quilombo da Família Silva. Pela sensibilidade e determinação de Joana Moncau (gracias!), brasileira que subverte cores, calendários, geografias e notícias nas selvas mexicanas, o vídeo foi traduzido para espanhol e integra a edição número 13, deste projeto de contra-informação (outra informação) que nos inspira.



DESINFORMÉMONOS HERMANOS
tan objetivamente como podamos

desinformémonos con unción
y sobre todo
con disciplina

que, espléndido que tus vastas praderas
patriota del poder
sean efectivamente productivas

desinformémonos
qué lindo que tu riqueza no nos empobrezca
y tu dádiva llueva sobre nosotros pecadores
qué bueno que se anuncie tiempo seco

desinformémonos
proclamemos al mundo la mentidad y la verdira

desinformémonos
nuestro salario bandoneón se desarruga
y si se encoge eructa quedamente
como un batracio demócrata y saciado

desinformémonos y basta
de pedir pan y techo para el mísero
ya que sabemos que el pan engorda
y que soñando al raso
se entonan los pulmones

desinformémonos y basta
de paros antihigiénicos que provocan
erisipelas y redundancias
en los discursos del mismísimo

basta de huelgas infecto contagiosas
cuya razón es la desidia
tan subversiva como fétida

garanticemos de una vez por todas
que el hijo del patrón gane su pan
con el sudor de nuestra pereza

desinformémonos
pero también desinformemos

verbigracia
tiranos no tembléis
por qué temer al pueblo
si queda a mano el delirium tremens

gustad sin pánico vuestro scotch
y dadnos la cocacola nuestra de cada día

desinformémonos
pero también desinformemos

amemos al prójimo oligarca
como a nosotros laburantes

desinformémonos hermanos
hasta que el cuerpo aguante
y cuando ya no aguante
entonces decidámonos
carajo decidámonos
y revolucionémonos.

Poema de Mario Benedetti.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lançamento da música: A Princesa é uma Senhora

Gustavo, Valentim e Marcelo ao vivo na RÁDIOCOM conversando sobre o filme O Grande Tambor, tocando sopapo e lançando oficialmente a música A Princesa é uma Senhora, trilha original do filme.

Faça o download da entrevista da equipe na RádioCom, clicando aqui.

Ouça ao vivo a Rádiocom:
http://radio-com.blogspot.com/

sábado, 30 de outubro de 2010

O dia do Saci Pererê


por Elaine Tavares

Em luta neste dia 30, no Trapiche da Beira-Mar, às 10h, em Florianópolis, contra o estaleiro

Não há nada mais servil do que se deixar dominar culturalmente. Quando a força das armas vem, pode-se até entender. Mas quando o domínio se dá de forma sub-reptícia, via cultura, parece mais letal. O Brasil vive isso de forma visceral. A música estadunidense invade as rádios e a juventude canta sem entender a mensagem. No comércio abundam os nomes de lojas em inglês e até as marcas de roupa ou sapato são na língua anglo-saxônica, "porque vende mais" dizem as atendentes. Nas vitrines, cartazes de "sale", ou "50% off" embandeiram a escravidão cultural. E tudo acontece automaticamente, como se fosse natural. Não é!

Outra prática que vem invadindo as escolas e até os jardins de infância é a comemoração do Halloween, o dia das bruxas dos estadunidenses. Lá, no país de Obama, esta data, o 31 de outubro, é um lindo dia de festividades com as crianças, no qual elas saem fazendo estripulias, exigindo guloseimas. Tudo muito legal dentro da cultura daquele povo, que incorporou esta milenar festa irlandesa lá pelo início do 1800. Nesta festa misturam-se velhas lendas de almas penadas, de gente que enganou o diabo e outras tantas comemorações pagãs. Além disso, hoje, ela nada mais é do que mais uma boa desculpa para frenéticas compras, bem ao estilo do capitalismo selvagem, predador.

Aqui no Brasil esta festa não tem qualquer razão de ser, exceto por conta das mentes colonizadas, que também associam o Halloween ao consumo. Não temos raízes celtas, nem irlandesas ou inglesas. Nossas raízes são outras, Guarani, Caraíba, Tupinambá, Pataxó... Nossos mitos - e são tantos - guardam relação com a floresta, com a vida livre, com a beleza. O mais conhecido deles é ainda mais bonito, fala de alegria e liberdade. É o Saci Pererê. Uma figurinha buliçosa que tem sua origem nas lendas dos povos originários, como guardião das generosas florestas que garantiam a vida plena das gentes. Com a chegada dos povos das mais variadas regiões da África, o menino guardião foi agregando novos contornos. Ficou negro, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho na cabeça, símbolo da liberdade. Leva na boca um cachimbo (o petyngua), muito usado pelos mais velhos nas comunidades indígenas. Sua missão no mundo é brincar, idéia muito próxima do mito fundador de quase todas as etnias de que o mundo é um grande jardim.

Pois é para reviver a cada ano as lendas e mitos do povo brasileiro que vários movimentos culturais e sociais usam o 31 de outubro para comemorar o Dia do Saci. Com atividades nas ruas, as gentes discutem a necessidade da libertação - coisa própria do Saci - das práticas culturais colonizadas. Ao trazer para o conhecimento público figuras como o Saci, o Caipora, o Boitatá, o Curupira, a Mula Sem Cabeça, todos personagens do imaginário popular, busca-se, na brincadeira que é próprias destes personagens mitológicos, incutir um sentimento nacional, de brasilidade, de reverência pela cultura autóctone. Não como sectária diferença, mas como afirmação das nossas raízes.

Em Florianópolis, quem iniciou esta idéia foi o Sindicato dos Trabalhadores da UFSC, que decidiu instituir o 31 de outubro como o Dia do Saci e seus amigos. Assim, neste dia, durante vários anos, os mitos da nossa gente invadiam as ruas, não para pedir guloseimas, mas para celebrar a vida. Tendo como personagem principal o Saci, o sindicato discutia a necessidade de valorizarmos aquilo que é nosso, que tem raiz encravada nas origens do nosso povo. Mas, agora, sob outra direção, que não conspira com estas idéias de nacionalismo cultural, o Saci não vai sair com a pompa usual.

Mas, não tem problema, porque neste 30, prenunciando seu dia, por toda a cidade, se ouvirão os loucos estalos nos pés de bambu. É porque dali saem, às carreiras, todos os Sacis que estavam dormindo, esperando a hora de brincar com as gentes. Redemoinhos, ventanias, correrias e muito riso. Isso é o Saci, moleque danado, guardião da floresta, protetor da natureza. Ele vem, com seus amigos, encantar o povo, fazer com que percebam que é preciso cuidar da nossa grande casa. Não virá pela mão do Sintufsc, mas pelo coração dos homens, mulheres e crianças que estarão no trapiche da Beira-Mar, às 10h, em Florianópolis, em luta contra o estaleiro que Eike Batista quer construir na nossa região. O Saci é protetor da natureza e vai se unir a barqueata que singrará os mares no encontro das gentes em rebelião. Ah Saci, eu vou te esperar... Que venhas com o vento sul...

Publicado no site da Adital.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Jornalismo em Quadrinhos


1ª Feira do Livro Anarquista

Porto Alegre terá sua 1ª Feira do Livro Anarquista! Salve!



PROGRAMAÇÃO

Sexta (5 de novembro)

Abertura da Feira do Livro Anarquista
A partir das 19:00

Espetáculo “O Homem Banda”, com Mauro Bruzza, da Cia. UmPédeDois
Lançamento dos livros Dias de Guerra, Noites de Amor – Crimethinc e Zonas Autônomas –(vol. 2) – Hakim Bey, pela Editora Deriva

Sábado (6 de novembro)

Oficina: Costura de Livros sem frescura
Das 11h às 12:30
Proponente: Editora Deriva

Almoço Vegano
A partir das 13h

Bate-papo: Anarquismo e Geografia
Das 14:30 às 16:00
Convidado: Dilermano Cattaneo

Bate-papo História pelos Anarquistas
Das 16:30 às 18:00
Convidado: Anderson Romário Pereira Corrêa
O saber histórico serve para compreender e explicar o processo pelo qual as sociedades e os indivíduos passaram para chegar a ser o que são hoje. Conhecer este processo é um dos pressupostos para poder agir sobre ele. O saber histórico serve também como discurso para justificar ações e posturas presentes. O texto “A história na visão de anarquistas” pretende conhecer como alguns anarquistas “clássicos” pensavam a História. A modesta intenção do texto é provocar a discussão entre aqueles que se identificam com o anarquismo e que procuram referências teóricos e metodológicos para seus estudos em História.

Filme e bate-papo: Ácratas
Às 19h
O documentário reconstói narrativamente a experiência dos “anarquistas expropiadores” no Rio da Prata dos anos 30. Documentário independente realizado com fotografias, filmes de época, materiais de arquivo e testemunhos de sobrevivientes.

Conta também com intervenções do historiador anarquista Osvaldo Bayer, quem tem escrito sobre o fenómeno dos anarquistas expropiadores, Abel Paz, historiador da revolução espanhola e do intelectual ítalo-uruguaia Luze Fabbri.

Domingo (7 de novembro)

Oficina Stencil
Às 10:00
Proponente: Alisson

Almoço Vegano
A partir das 13h

Bate-papo: Anarcologia e Protopia
Das 14:30 às 16h
Convidado: Alt
Um papo sobre saberes anarquizantes (Anarcologia). Sobre ações históricas em favor da autonomia e experiências comunalistas: das barricadas de Comuna de Paris aos Caracóis da Selva Lacandona. Embates territoriais em contextos de ampliação do aparato de repressão e controle no contexto urbano. Possibilidades protópicas, a estratégia das zonas autônomas, formas de libertação da imaginatividade.

Bate-papo: Política e anarquismo
Horário: 16:30 – 18:00
Convidado: Bruno Lima Rocha

Bate-papo: Feminismo e Anarquismo
Horário: 18:30 – 20:00
Convidado: Ação Antisexista
Propomos um diálogo sobre as conexões entre anarquismo e feminismo.
Existe anarquismo sem feminismo? Qual a importância dos principios libertários para o feminismo contemporâneo?
Estaremos também lançando os zines Nem Escravas Nem Musas #2 e Reajindo – Defesa pessoal para mulheres de todas as idades.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Polícia identifica artistas por teatro de rua na esquina "democrática"



Da Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA...:

"No dia 16 de Outubro de 2010 a Esquina 'Democrática' voltou a ser palco de embate. A Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA... apresentava sua montagem de Teatro de Rua Árvore em Fogo quando vários soldados da Brigada Militar tentaram interromper a apresentação abaixo de ameaças de prisão e de gritos para intimidar os atores.

Nós, da Cambada, em um verdadeiro ato de resistência, levamos a apresentação até o final. Foi quando nos vimos detidos (inclusive uma criança de 11 anos que participa da peça), não poderíamos deixar o local nem poderíamos levar nosso material cênico, caso não nos identificássemos. Fomos levados a delegacia quando, por sorte, um pedestre se identificou como advogado e nos acompanhou. Não sabemos o que seria dentro da delegacia cercados por vários policiais sem este advogado que apenas passava e resolveu não ficar calado diante de tão absurda atitude dos soldados. Um deles argumentou que um dos motivos que os fizeram tentar parar a peça foi que 'algumas pessoas não estavam gostando'.

Depois de algum tempo de discussão dentro da delegacia, fomos identificados e liberados. Esta intervenção da Brigada Militar desrespeita o Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 que diz: 'É LIVRE A EXPRESSÃO DA ATIVIDADE INTELECTUAL, ARTÍSTICA, CIENTÍFICA E DE COMUNICAÇÃO INDEPENDENTEMENTE DE CENSURA OU LICENÇA'.

Este foi mais um ato estúpido, inexplicável e inconstitucional da polícia. Árvore em Fogo é um alerta para a necessidade de Liberdade. Junto com Brecht a Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA...afirma: DE HOJE EM DIANTE TEMEREMOS MAIS A MISÉRIA QUE A MORTE!!"

Negro Sopapo...

...parece trovão.

- leia texto de Têmis Nicolaidis no blog da Bataclã FC, clique aqui.

domingo, 24 de outubro de 2010

Denúncia: Blog Nazista de Porto Alegre



Cuidado com os Skinheads nas ruas de Porto Alegre. Vamos divulgar e denunciar este blog nazista que faz apologia a Hitler e divulga músicas racistas, tendo um espaço para bate papo que os nazistas ficam discursando abertamente.
Texto publicado no blog musicaparabrancos.blogspot.com:

Antes de mais nada, quero deixar um saudoso cumprimento a todos os camaradas que aqui estão participando do blog. No geral quero centrar o blog em artigos interessante aos camaradas e a nossa raça, assuntos construtivos de preferência, tudo dentro do nosso meio de vida é claro. Por fim, também tratar de assuntos polêmicos que nos convém, especialmente sobre "o movimento de nossa raça" no Brasil e exterior.

Sieg Heil!




Cuidado com os Nazistas Gaúchos!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Famílias do Jardim em Canela


Clique na imagem para ampliar.

Conheça mais sobre o projeto!

I Encontro da Rede Juçara - Polpa de Juçara e Comunidades



A compreensão do uso sustentável das espécies nativas como uma das principais estratégias para conservação da biodiversidade.

Este é o pensamento que marca os dois anos de trabalho e articulação da REDE JUÇARA na promoção deste primeiro encontro, em parceria com a ABJICA, reunindo agricultores familiares, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil, gestores públicos, universidades, entre outros, para discutir novos rumos para o bioma Mata Atlântica.

- Saiba mais: www.redejucara.org.br -
______________________________________
Realização:
REDE JUÇARA (Ação Nascente Maquiné - ANAMA; Associação de Desenvolvimento Comunitário do Bairro do Rio Preto; Associação de Economia Solidária e Desenvolvimento Sustentável Guapiruvu - AGUA; Associação de Moradores do Quilombo do Campinho - AMOQC; Associação dos Colonos Ecologistas do Vale do Mampituba - ACEVAM; Associação Papa-Mel de Apicultores de Rolante; Associação para Cultura Meio Ambiente e Cidadania - AKARUI; Centro de Motivação Ecológica e Alternativas Rurais - CEMEAR; Centro Ecológico; Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo - ESALQ/USP; Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo - FF; Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica - IPEMA; Instituto Socioambiental - ISA; Núcleo de Estudos em Desenvolvimento Rural Sustentável e Mata Atlântica - DESMA/UFRGS) e Associação dos Bolsistas JICA - ABJICA.

Apoio:

sábado, 16 de outubro de 2010

Nota à guerrilha

Aos seguidores do @editorwu não é novidade, mas o Prof. Wladymir Ungaretti bailou em uma curva do final de semana e acabou nas massegas, se perguntando onde estava o equilíbrio. O desnível do asfalto trapaceou o objetivo e lhe tirou a moto d'entre as pernas. Que falácia da sorte.

Texto e fotos do Celeuma. Leia mais sobre os desníveis da deriva.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mestre Paraquedas na Trilha do Documentário "O Grande Tambor"

O mestre Griô, "Eugênio da Silva Alencar, conhecido como Mestre Paraqueda, de 73 anos, é músico, compositor, poeta, desenhista, um contador de histórias. Vivenciou os chamados territórios negros em Porto Alegre: nasceu na região de Alto da Bronze, morou no Areal da Baronesa, no Menino Deus, dentre outras regiões da cidade que concentraram os descendentes de africanos. A ligação com o samba veio através da família, que costumava tocar e cantar em festas, nos finais de semana. Começou a compor por volta dos oito anos, na metade da década de 1940.

Seu apelido veio de quando serviu ao Exército como para-quedista. Foi assim que conheceu o Rio de Janeiro e lá conviveu com o cotidiano da Escola de Samba Portela. Participou também dos ranchos da Unidos da Vila Valqueire. Sua relação com o carnaval é muito forte. Compôs mais de 60 temas, sendo que 40 viraram sambas enredos de diferentes escolas de Porto Alegre. Fundou diversas sociedades carnavalescas da cidade como o Comandos do Morro, o Sambão, o Samba Puro, Unidos da Conceição, dentre outras.

Como desenhista, construiu diversas alegorias para estas sociedades e escolas de samba. Gravou muitos sambas enredos dos carnavais de Porto Alegre e teve outras músicas gravadas por outros intérpretes. Uma destas, chamada “É morro, é favela, é gueto, é quilombo” foi censurada pela ditadura militar. Sua trajetória é marcada pela resistência das culturas populares, da negritude do pampa, municiada pela música e poesia."*

Mestre Paraquedas nos brindou com composição feita especialmente para o documentário "O Grande Tambor", e ontem a noite um grupo especial de músicos (Paulo Romeu, Wado, Lucas Kinoshita, Cal e o próprio mestre) se reuniu no Ponto de Cultura Odomodê com a missão de harmonizar esta música. Eis o resultado:




A gravação da música para a trilha vai ser semana que vem, no Ponto de Cultura Ventre Livre.


*Texto: Caiuá Al-Alam, Pesquisador.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Música que une Brasil, Argentina e Uruguay - o pampa, o prata, o sul...

Neste primeiro de três recortes, acompanhamos os músicos gaúchos/brasileiros Richard Serraria e Lucas Kinoshita (membros da Bataclã FC) en gira por Buenos Aires, armando e fazendo música com o milongueiro argentino Pablo Grinjot. Na primeira parte, Pablo dá sua palhinha nos fundos de sua residência e, na segunda, tocam juntos no espaço No Avestruz, bairro de Palermo.

O Dia da Criança que a TV não mostra

Foi lindo. Centenas de crianças sem terra, do movimento social mais importante do mundo, o MST, visitaram as comunidades do Morro Santa Teresa, onde milhares de crianças tiveram (talvez ainda tenham) suas moradias ameaçadas pelo Governo do RS que, atendendo a interesses de especuladores imobiliários, montou um projeto para tirá-los de casa.

Isso tudo aconteceu, literalmente, na porta de todas as TVs em Porto Alegre (ficam no Morro Santa Teresa), mas apenas a TVE esteve lá para registrar o dia das crianças criminalizadas por esses próprios veículos de comunicação. Em qualquer lugar do mundo, com uma imprensa que tenha um mínimo de dignidade, esse acontecimento seria notícia amplamente coberta pela mídia. Mas as TVs estavam ocupadas em descer para o asfalto e registrar apenas outra infância, no centro da cidade.









Veja mais sobre a caixa preta gigante, em que as crianças puderam entrar dentro e ver a foto da cidade vista do alto do morro. No Celeuma.



Leia mais sobre a celebração da criançada no blog do Levante Popular da Juventude.

Fotos 01,02,03 e 04 de Leonardo Melgarejo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Haiti, para não esquecer

Anselmo Kanaan, amigo e lutador dessas bandas do sul, está no Haiti. Vendo agora à tarde que ele lia seus emails, perguntei como estava por lá. A resposta: "Cara, estamos peleando. Muito mesmo, miséria em qualquer canto. Assisto enterro à toda hora. Temos que pensar outra sociedade. Esta podre. Um abraço para os guerreiros."

domingo, 10 de outubro de 2010

Sem Terrinha visitam Morro Santa Teresa no dia da criança

Cerca de 500 crianças Sem Terra vão conhecer a realidade da criançada que vive na cidade.


Para comemorar o Dia da Criança, em torno de 500 meninos e meninas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) irão visitar a realidade das famílias que vivem no Morro Santa Teresa, em Porto Alegre. A manhã de terça-feira, dia 12 de outubro, vai servir para que a criançada do campo conheça o espaço e a luta das comunidades urbanas por meio de caminhada e confraternização.

A atividade dos Sem Terrinha no Morro vai sair da Vila Gaúcha, às 9 horas, e passar pelas Vilas Ecológica e União Santa Teresa. Crianças de outros movimentos também irão participar do encontro, como do Quilombo dos Silva, do Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis e do Comitê de Resistência Popular da Restinga. Toda essa criançada vai ao Santa Teresa para realizar um manifesto de solidariedade e união entre o campo e a cidade.

Os Sem Terrinha são crianças que têm a identidade da classe trabalhadora, são filhos e filhas da luta que inspiram o próprio MST. O movimento que defende o direito de estudar das crianças por meio da luta por escolas e pelo direito de ser reconhecido no campo como sujeito de sua própria história, a luta pela soberania popular.

sábado, 9 de outubro de 2010

Encontro dos Sem Terrinha



As crianças dos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra querem te convidar para um encontro muito importante. Trata- se do 14o Encontro Estadual dos Sem Terrinha que acontecerá nos dias 11, 12 e 13 de outubro, na semana da criança, para estudar, brincar e reafirmar que dia da criança também é dia de luta por educação. Convidamos você para junto com a gente dizer bem alto, pra todo mundo ouvir que Fechar escola é crime! E que os Sem Terrinha estão em luta na defesa da Escola Itinerante. Nosso encontro terá lugar, no assentamento Integração Gaúcha, em Eldorado do Sul, e segue a seguinte programação:


1o dia (11/10) Abertura e Oficinas Pedagógicas


2o dia (12/10) Visita ao Morro Santa Tereza/POA – crianças do campo e da cidade;

Confraternização


3o dia (13/10) Visita ao Morro Santa Tereza/POA – crianças do campo e da cidade;

Mobilização das crianças - Marcha em defesa da Escola Itinerante/POA


É bom lembrar que, se não puderes participar de todo o encontro, tua presença no dia 13 de outubro (quarta-feira) é imprescindível. Sairemos da Praça XV às 9h rumo ao Ministério Público Estadual.


Sem Terrinha - MST/RS

Todas as pessoas compartilhando todo o mundo



Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de homens
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo, então, será como um só

(o sonho de um cara que faria hoje 70 anos)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

DOIS PESOS…

por Maria Rita Kehl

(Artigo que provocou a demissão da colunista do Estado de São Paulo por "delito de opinião". Os donos dos jornais e a classe social que os controla não consegue ver, ouvir e ler certas coisas...)

Este jornal (O Estado de São Paulo) teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

Maria Rita Kehl é psicanalista, doutora em psicanálise pela PUC de São Paulo, poeta e ensaísta. É autora de vários livros, entre os quais se destacamSobre ética e psicanálise (2002) e Videologias, escrito em parceria com Eugênio Bucci, publicado pela Editora Boitempo em 2004.

Artigo publicado originalmente no diário conservador paulistano O Estado de São Paulo, após o qual a autora, por decisão do Conselho Editorial do jornal, foi demitida na última terça-feira.