O Coletivo Catarse participa na próxima segunda-feira, 25.01, da Jornada Vídeo nas Aldeias – desconferência audiovisual, promovida pela Secretaria da Cidadania Cultural no dia de abertura do FSM10.
As atividades, que acontecem no SindBancários (Sindicato dos Bancários de Porto Alegre), Rua General Câmara, 424, Centro, fazem um recorte da produção do projeto precursor na área de produção audiovisual indígena no Brasil, apoiado pelo Programa Cultura Viva com o Pontão Vídeo nas Aldeias.
Serão três sessões gratuitas e cada uma delas traz convidados que destacam temas para discussão com o público, abordando desde apropriação de meios de produção pelos povos indígenas até a relação entre tradição e modernidade. A atividade será coordenada pelo Consultor da SCC/MinC, Zonda Bez.
A programação começa pela manhã (10h-12h) e tem como tema “Um cocar na cabeça e uma câmera na mão: apropriação dos meios de produção pelos povos indígenas”, com a exibição de dois vídeos do povo Kuikuro “Cheiro de pequi” (36 min, 2006) e “O dia em que a lua menstruou” (28 min, 2004). Será exibido o Extra “O manejo da câmera” (17 min, 2007), que trata da aproximação dos indígenas com os procedimentos audiovisuais com o intuito de registrar as tradições.
Os convidados para conversar com o público são Leandro Saraiva, roteirista e representante na jornada do projeto Vídeo nas Aldeias, e Jefferson Pinheiro, que integra o coletivo de comunicação gaúcho Catarse.
À Tarde (13h30-15h), o tema da sessão é “Novos tempos e as culturas tradicionais”, tendo como referência a produção audiovisual do povo Huni Kui. Serão exibidos os vídeos “Novos tempos”(52 min, 2008) e “Os cantos do cipó” (25 min, 2006).
O dialógo se amplia com a participação de Jô Brandão, coordenadora da Ação Griô da SCC/MinC, e de Lucia Fernanda Jófej-Kaingáng, advogada, pesquisadora sobre proteção dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e diretora -executiva do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi).
A Jornada se encerra (15h-17h) com a exibição do episódio “Olhares índígenas” (26 min, 2009), que integra a série de programas Ponto Brasil – ação colaborativa de produção com coletivos audiovisuais e Pontos de Cultura – assim como os Extras “De volta à terra boa” (21 min, 2008), e “Para os nossos netos” (10 min, 2008), dirigidos por Mari Corrêa e Vincent Carelli com o Povo Panará.
O tema “Ação colaborativa com povos indígenas” contará mais uma vez com Leandro Saraiva, coordenador do projeto Ponto Brasil, e James Görgen – representante da Secretaria do Audiovisual do MinC.
Construção política comum
Já Nos dias 27 e 28, entre 9h e 12h, acontecem as Rodas de Prosa Cultura e comunicação: ações colaborativas para políticas públicas. A proposta é mostrar como o diálogo entre governo e sociedade deixa entrever uma outra forma de construção de políticas públicas, a partir da ligação intrínseca entre Cultura e Comunicação.
Pontos, Pontões e Pontinhos de Cultura, fomento à mídia livre, preservação da tradição oral de matriz africana, conferências de comunicação e cultura são alguns dos resultados dessa construção coletiva que terão espaço garantido nas conversas. A coordenação das atividades são de Isabelle Albuquerque (SCC/MinC).
Dia 27, na Fundação Cultural de Canoas (antiga Estação Ferroviária – Centro), a roda de prosa tem como tema “Pontos de Cultura e gestão compartilhada: outro mundo possível na gestão cultural”, contando com a presença do Secretário de Cidadania Cultural Célio Turino, que também anunciará os Editais 2010 que serão lançados pela SCC/MinC.
Também são convidados para a conversa Jefferson Assunção, Secretário de Cultura de Canoas; Jussara Cony, Superintendente do Grupo Hospitalar Conceição e gestora da Rede Cultura e Saúde; Thiago Skarnio, do Pontão Digital Ganesha; e Darlene Barboza Kopinski, representante dos Pontos de Cultura do Paraná.
Às 14h30, o tema Pontos de Cultura volta à programação em Canoas. A mesa “Pontos de Cultura na América Latina” traz Eduardo Balan, coordenador do grupo El Culebrón Timbal, projeto sociocultural voluntário que atua na grande Buenos Aires (Argentina); Maria Benites, coordenadora de programa acadêmico na Universidade de Siegen (Alemanha) e Presidente do Instituto Vygotskij; Felipe Redó, representante do Instituto Cuca-UNE; Jefferson Assunção e Célio Turino. A seguir, o também escritor Célio Turino lança o livro “Ponto de Cultura: o Brasil de baixo para cima”.
No dia 28, a roda de prosa acontece na Câmara Municipal de Canoas ( Rua Ipiranga, 123 – Centro) aborda o tema “Cultura e comunicação: ações colaborativas de fomento”, com a presença de Juana Nunes, coordenadora de Articulação e Mobilização em Rede da SCC/MinC); Paulo Sergio “PC” Barbosa, representante da Ação Griô na Comissão estadual dos Pontos Cultura RS; Julia Basso, do Pontão de Cultura Kuai Tema (Paraná) e Vania Pierozan, do Pontinho de Cultura CuriosaIdade - RS.
Outras informações sobre a programação SCC/MinC e Pontão Ganesha podem ser obtidas pelo e-mail scc.comunica@cultura.gov.br/.
Texto: Zonda Bez (SCC/MinC)
sábado, 23 de janeiro de 2010
Jornada Vídeo nas Aldeias – desconferência audiovisual
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Tambor de Sopapo na TV Brasil
Sopapo, herança dos escravos, tambor da cultura negra gaúcha ecoa pra ser reconhecido, soa pra ser lembrado na própria terra que o recebeu.
O Coletivo Catarse vai contar essa história em documentário, com apoio do IPHAN. E produziu reportagem para o telejornal Repórter Brasil, da TV Brasil, que foi ao ar na noite de ontem, 21.01, para todo o país (exceto para o RS porque o governo estadual do momento não acha importante retransmitir a programação de uma TV pública que foi criada por outro partido político).
A Catarse se junta a Mestre Batista, Giba-Giba e Richard Serraria pra que o sopapo sopape nossos ouvidos, pra que a gente possa dançar ao som de um tambor que é a nossa história.
Clique aqui para assitir a reportagem: http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/1989/
Crenças a céu aberto
Essa canção nasceu da leitura de uma coluna na revista Caros Amigos, assinada pelo Gilberto Vasconcelos, que tratava da vida e da obra do historiador, folclorista e antropólogo Luis da Câmara Cascudo, um estudioso apaixonado pelas coisas do Brasil e do seu povo. O trabalho de arranjo é coletivo, com uma boa produção do Guilherme. O vídeo é realização da Têmis Nicolaidis, colega de Coletivo Catarse e no Ponto de Cultura Ventre Livre. Seu primeiro trabalho na banda.
Publicado originalmente por Marcelo Cougo no blog Mocotó Elétrico.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Cidadão Boilesen
Cinema e subdesenvolvimento
Fernando Birri - 1962
De que cinema necessita a Argentina?
De que cinema necessitam os povos subdesenvolvidos da América Latina?
De um cinema que os desenvolva.
Um cinema que lhes dê consciência, tomada de consciência;
Que os esclareça;
Que fortaleça a consciência revolucionária daqueles que a tem;
Que lhes dê fervor;
Que inquiete, preocupe, assuste, debilite aos que tem "má consciência", consciência reacionária;
Que defina perfis nacionais, latino-americanos;
Que seja autêntico;
Que seja antioligárquico e antiburguês na ordem nacional e anticolonial e antiimperialista na ordem internacional;
Que seja pró povo e contra anti-povo;
Que ajude a emergir do subdesenvolvimento ao desenvolvimento;
Do sub-estômago ao estômago;
Da sub-cultura à cultura;
Da sub-felicidade à felicidade;
Da sub-vida à vida.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Jornalistas bundões
Ungaretti é jornalista. Não é bundão. Está sendo processado por Ronaldo Bernardi, do Jornal Zero Hora, pelas críticas que faz ao trabalho do fotógrafo.
Ungaretti é professor. Está sob censura. Criticar ou comentar algumas matérias e material fotográfico de Zero Hora em seu site significa pagar uma multa diária de 150 reais. Medida que está completando um ano. Sempre usou seu Ponto de Vista pra estimular, fundamentalmente, o espírito crítico dos estudantes de jornalismo.
Consegui salvar alguns de seus textos e indicações, antes que a página saísse do ar. Me alimento ali muitas vezes, no trabalho de tentar levantar outra informação sobre os marginais que a grande mídia comercial elegeu e ataca, nessa luta diária de classes.
Mas o jornalista e professor censurado atua nas brechas, cava outro espaço pra compartilhar conosco seu ponto de vista sobre as ruas, as pessoas, a vida e o que nos omitem os jornalistas cães de guarda, que abanam o rabo para seus donos nas redações, e latem (vociferam) para os que se aproximam dos muros, pixar com as verdades que cortam.
Esta sua postagem de ontem (12.01), no blog que resiste:
JORNALISTAS BUNDÕES
Andréia vive pelos bares do Mercado Público de Porto Alegre. Quer casar com um coroa, branco. Promete fidelidade e dedicação. Sempre usou camisinha. Tem 38 anos. Disse que já foi mais bonita, mas quer voltar a se cuidar.
Estava tentando levantar uma grana para visitar o filho em Florianópolis. É super bem humorada. Suas observações sobre os frequentadores dos bares é de quem sabe tudo da vida. De uma vida sofrida.
Ele é Paulo Monteiro. Um técnico em enfermagem. Está sumido do emprego. Deveria estar trabalhando em um hospital de Porto Alegre. Um dos filhos, o que está com o cartão bancário dele, treina no Grêmio. O outro estuda para prestar vestibular na medicina. Ele admite que têm problemas de alcoolismo. Quando fala que está morando na rua começa a chorar. Estava se preparando para dormir na rua Voluntários da Pátria. Não tinha feito uma refeição durante todo o dia. Não disse muito mais do que isso. É super educado.
Anderson Alexandre procurava o que comer no lixo da Avenida Independência (PA). O iugurte, de todos os potinhos que encontrou, estava estragado. No máximo conseguiu uma ou outra fruta. Recolheu algum material de plástico para vender. É mais um morador de rua que vive do lixo.
Os jornalistas são uns bundões. Pontodevista está sob censura. Gostaria de dar o nome de alguns desses bundões. Os que com a bunda pregada diante dos computadores, das modernas redações, são os donos do mundo. O fotojornalismo é das fotos/divulgação, do material já editado pelas agências ou das pautas da perfumaria. Não posso fazer nada. É a minha opinião. O meu final de segunda-feira foi marcado por estas histórias de vida. Com 78 quilos (quatro a mais que Tarso de Castro) de músculos e fúria, sem o seu talento, transfiro esta porrada a todos vocês.
Jornalistas bundões um dia serão obrigados a prestar conta, das histórias não contadas. Por nos empaturrarem de tanto lixo perfumado. Todos com diploma. O jornal “Última Hora” de Porto Alegre, sob a orientação de Samuel Wainer, começou a circular em fevereiro de 1960. Ninguém tinha diploma.
Não compre nenhum jornal, pelo menos hoje. Existem melhores textos de ficção. Lixo ficcional não serve para nada. Intoxica. Os marginais, os que estão à margem, vão comer os bundões. Qualquer dias desses.
Palavras como estiletes. Quero perfurar a alma das pessoas.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Yeda rejeita a TV Brasil, de graça, e paga para ter Cultura
A Catarse foi o primeiro coletivo independente a produzir conteúdo jornalístico para a TV Brasil, em setembro de 2007, quando a TV ainda não havia entrado no ar. Mesmo que o projeto para remunerar as participações do quadro Outro Olhar (produções independentes no telejornal) tenha sido interrompido, a TV Brasil é um canal importante para fortalecer a mídia pública, de interesse público, e veicular conteúdo que não temos nas tvs comerciais abertas nem na TVE do RS. Nosso apoio e desejo que a TV Brasil chegue logo, arejando a programação num dos estados em que mais fortemente se percebe o quanto os coronéis da comunicação fazem mal a sociedade. E que a TVE/RS permaneça de pé, até que caia o desgoverno da Yeda.
Rede de TV gaúcha perderá ao menos R$ 500 mil anuais em produção de programas; emissora diz que está "bem servida" pela parceria com SP
Ana Flor, da reportagem local
Fonte:Folha de São Paulo em 07.01.2010
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0701201011.htm
O governo gaúcho, da tucana Yeda Crusius, rejeitou uma proposta para que a TV educativa local, a TVE, retransmita a TV Brasil, do governo federal, para renovar contrato em que passará a pagar para veicular programas da TV Cultura -emissora ligada ao governo tucano de São Paulo. Abrir mão da parceria com a TV Brasil significará para a TVE a perda de pelo menos R$ 500 mil em produção de programas ao ano, além de investimentos para migração para o sistema digital. A emissora gaúcha fica ainda obrigada a mudar de sede, já que o prédio que ocupa há 30 anos e que pertencia ao INSS foi comprado pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), responsável pela TV Brasil.
A presidência da TVE afirma que não há necessidade de acordo com a TV do governo federal, porque "está muito bem servida" pela parceria com a TV Cultura. Mas, como a emissora de São Paulo decidiu cobrar pela retransmissão, a TVE passará a desembolsar em torno de R$ 20 mil ao mês. "Nosso momento atual é investir em programação local. Queremos reorganizar uma fundação que busca desesperadamente sua autossustentação", afirmou o presidente, Ricardo Azeredo. Dentro do governo gaúcho, a opinião é que a TV Brasil é um instrumento do governo Lula. Aliados de Yeda citam como exemplo o viés governamental de programas jornalísticos, como o "Repórter Brasil", que precisa ser retransmitido pelo menos uma vez ao dia pelas parceiras estaduais.
Segundo o diretor jurídico da EBC, Luís Henrique Martins dos Anjos, a proposta feita à TVE inclui repasse de cerca de R$ 500 mil para produção de material jornalístico e programas que seriam incluídos na grade nacional da TV Brasil e a possibilidade de utilizar a tecnologia da emissora federal na migração para o sistema digital.
O diretor afirma que a TV Brasil já paga pelos direitos de transmissão dos principais programas da TV Cultura -como o "Roda Viva" e infantis-, que a emissora gaúcha poderia levar ao ar sem custos. Além disso, mais de 50% da grade de programas é aberta para produções locais. "A única explicação que eu encontro é a orientação política", diz ele, que é responsável pela instalação da EBC no RS.
Martins dá o exemplo da TV educativa de Minas Gerais -outro governo tucano-, que tem parceria com a TV Brasil e recebe para produzir quatro programas que vão ao ar em todo o país. "Não é normal que todas as TVs educativas estejam erradas", afirmou ele.
O diretor afirma que a TV Brasil tem interesse em pagar em torno de R$ 400 mil para que a TVE produza um programa infantil em rede nacional. "A governadora fez um anúncio de que [a TVE] ia mudar de local. Mesmo assim, nós vamos reiterar a proposta", diz.
A presidente da EBC, Teresa Cruvinel, vai enviar um novo convite ainda neste mês.
Com o fracasso das negociações com a TVE, o Rio Grande do Sul passa a ser o único Estado em que a TV Brasil está sem parceria para retransmissão.







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