sexta-feira, 30 de abril de 2010

Governo Yeda dá as costas para a comunidade em reunião sobre venda do Morro Santa Teresa

Aqui embaixo, a íntegra - sem cortes! - da reunião entre representantes do governo Yeda e lideranças das comunidades do Morro Santa Teresa.
Em determinado momento o presidente da FASE e outro membro de uma secretaria resolvem que está na hora de sair.
A discussão que precede, inclusive, o fato é bem estranha.
Assistam a estes 20 minutos de reunião e tirem suas próprias conclusões.

Venda do Morro Santa Teresa
Enviado por temisnicolaidis. - Noticias em video na hora

- este conteúdo é produzido com licenciamento COPYLEFT, de livre distribuição, bastando apenas citar a fonte. COPIE! COLE! MULTIPLIQUE!

desinformémonos hermanos/ hasta que el cuerpo aguante/ y cuando ya no aguante/ entonces decidámonos/ carajo decidámonos/ y revolucionémonos

Brasil de Fato – Pode nos falar um pouco de como nasceu o projeto Desinformémonos?

Gloria Muñõz – Consideramo-nos uma ferramenta de luta por um mundo melhor, ou seja, por um mundo justo, livre e democrático. Aderimos às batalhas que se passam “abajo y a la izquierda”, à margem do poder e dos poderosos. Estamos do lado da autonomia dos povos, pelo direito a decidir sobre nossos próprios destinos. Somos, sem ambiguidades, fruto de uma luta que, desde 1º de janeiro de 1994, nos transformou: o levantamento do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). E é no terreno da “desinformação” que atuaremos.


Por Cristiano Navarro, Brasil de Fato
Das periferias para o centro, a comunicação alternativa vai buscando brechas para transferir o poder da palavra dos maiores aos pequenos. Modificando a ordem dos caminhos da comunicação, o movimento zapatista, do México, experimentou, na década de 1990, a possibilidade de, por meio da internet, ser ouvido no mundo desde sua realidade local.

Uma das protagonistas dessa ação foi Gloria Muñoz Ramírez, jornalista que acompanha o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN)desde seu levante em 1994, no estado de Chiapas. Gloria segue militando na contra-informação. Seu mais novo projeto é dirigir a revista mensal Desinformémonos.

Em janeiro deste ano, o Brasil de Fato iniciou um intercâmbio de conteúdo com a publicação. Com versão na web (http://desinformemonos.org), a iniciativa envolve colaboradores de inúmeras partes do planeta e é traduzida para o português, grego, italiano, inglês, francês, alemão, e a língua indígena tseltal, bastante falada no sul do México.

Nessa entrevista, a diretora de Desinformémonos fala sobre esse projeto internacional e a experiência acumulada em anos junto aos zapatistas.

1º de maio de resistência e reorganização popular

Programação do Utopia e Luta:



quinta-feira, 29 de abril de 2010

Uma tarde de trabalho

Cadê a minha camiseta do Che Guevara?

Lembra quando éramos jovens e idealistas?
Lembra como pensávamos que poderíamos mudar o mundo?
A gente andava por aí de bermuda, estampando na cara os nossos ídolos, barba por fazer, cabelos compridos...
Nossos ideais nos alimentavam.
Lembra como ficávamos furiosos com a injustiça social?
Como discutíamos, inclusive, afinal de contas o que é injustiça social?
Lembra como você me dizia que não conseguiríamos, que estávamos delirando e que seríamos amassados pelo sistema?
E eu respondia que se isto fosse o mínimo a ser feito, então o faríamos com o máximo de dedicação.
Lembro de caminharmos pelas ruas e chorarmos a cada esquina em que assistíamos atônitos o tempo passar com a multidão surda-muda, pisoteando a pobreza com a pobreza de espírito.
Lembra como todos nos desacreditavam dizendo que não seria possível?
Que éramos sonhadores, românticos?
Pois é.
E onde eles estão agora?!
E nós?
Nós estamos aqui, escrevendo a história, construindo o futuro com as nossas ferramentas.
Lembra?!
Não?
Pois ainda vai acontecer...

- foto da entrevista com PC e Paulo Romeu, no Ponto de Cultura Odomode, aqui em Porto Alegre mesmo, para o filme sobre o Tambor de Sopapo

Artur, o Arteiro



mais no: www.rafaelcartum.blogspot.com

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Comunidades do Morro Santa Teresa se mobilizam contra a venda da FASE



Reportagem da Catarse sobre a manifestação contra a venda da FASE organizada pelas comunidades do morro santa teresa e arredores para evitar o despejo de quase 20 mil pessoas. Quanto será que vale este terreno da FASE?

Aprovado projeto que vai levar cinema à comunidade do Passo de Torres


Exibir mapa ampliado

Há uma parceria em andamento entre a Catarse e a Associação de Moradores do Balneário Rosa do Mar.
É uma praia que fica no município de Passo de Torres, ao lado de Torres, primeiro do litoral catarinense.
Um lugar muito pobre, com índices imensos de analfabetismo e corrupção na administração pública.
Rosa do Mar viveu sempre meio isolada do centro do município, distante 10 km.
Mas, hoje, com o asfalto na estrada de acesso, se aproximou e movimentou.
O problema é exatamente a falta de estrutura de tudo e mais um pouco que dê um mínimo de sustentação para o crescimento que agora é real.
E cultura é indispensável.
Conseguimos, agora vamos implementá-lo.
Segue release enviado aos jornais da região:

Associação de Moradores da Rosa do Mar traz projeto do Ministério da Cultura para o Passo de Torres

O Programa Cine Mais Cultura está chegando ao Município de Passo de Torres. Pelas mãos da diretoria do biênio 2010-2011, presidida por Osmar Pereira Ramos, a Associação de Moradores do Balneário Rosa do Mar enviou projeto e teve aprovada a instalação de um cinema na sua sede. Realizado em parceria com a Cooperativa Catarse - Coletivo de Comunicação, de Porto Alegre, terá, agora, à disposição da comunidade equipamentos de exibição audiovisual (projetor, aparelho de DVD e caixas de som), mais 104 filmes em DVDs da Programadora Brasil e um acompanhamento direto para exibições nos 3 primeiros meses de atividade feito pelos técnicos do Ministério da Cultura. Além disso, foram destacadas duas pessoas para realizar oficina de capacitação em Florianópolis, que permitirá à associação ter dois responsáveis para realizar as exibições.

O planejamento enviado ao Ministério conta com a realização de uma sessão de cinema semanal, com eventuais projeções de filmes temáticos para a discussão na comunidade. Para isso, o departamento de cultura da associação, sob responsabilidade de Maria Inês Silveira, ex-presidente na gestão 2008-2009, conta exatamente com a parceria estabelecida com a Catarse para movimentar culturalmente não só a Rosa do Mar, mas toda a região.

"A Catarse traz sua colaboração nesta parceria o fato de já estar trabalhando com a promoção da cultura em diversos municípios do Rio Grande do Sul. Isso vai nos ajudar em muito para que possamos trazer um pouco da diversidade cultural e da discussão de temas importantes que somente o cinema pode disponibilizar" - comenta Inês. "Isso mesmo. Será interessante para todos os que desfrutarem deste espaço sair um pouco da televisão e ampliar os horizontes com os filmes que serão projetados" - completa Gustavo Türck, membro da Catarse, que constituiu o projeto e que é veranista há mais de 20 anos do Balneário Rosa do Mar.

Esta é uma grande conquista para o município do Passo de Torres, que não conta com nenhuma estrutura de projeção de filmes voltada para a comunidade e que carece de espaços mais amplos para a discussão da produção cultural. Torres também não conta mais com cinemas, e estas sessões semanais a se realizarem na sede da associação serão abertas e amplamente divulgadas em toda a região para que seja possível uma grande participação da população local.

Mais informações sobre o Programa Cine Mais Cultura: http://www.cinemaiscultura.org.br/.
Sobre a Cooperativa Catarse: http://www.coletivocatarse.com.br/.

Efeito manada na cobertura jornalística

[clique nas imagens para aumentar o tamanho]


Três casos:

[Reproduções de charge do cartunista Latuff, das páginas 24, 25 e 84 da revista Isto É Dinheiro Rural abril/2010 e da página 3 do caderno Agrícola - O Estado de S. Paulo, 14 de abril de 2010 ]

terça-feira, 27 de abril de 2010

Protesto adia votação de projeto que vende área nobre no RS

Da Radioagência NP, Bianca Costa.

Centenas de pessoas de seis comunidades pobres de Porto Alegre realizaram um ato na manhã desta terça-feira (27), para impedir a votação do projeto 388/09 na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A proposta prevê a venda de uma área de 74 hectares no Morro Santa Tereza, que ganhou visibilidade do ramo imobiliário em função da Copa do Mundo de 2014.


As famílias saíram em caminhada pela Av. Padre Cacique e se concentraram em frente ao prédio da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (FASE), que também sofrerá os impactos da proposta. O governo pretende desativar a unidade da FASE para implantar a descentralização, plano que também consta no projeto 388/09.

De acordo com Herno Campos, do SEMAPI, sindicato que representa os monitores da FASE, a proposta de ressocialização dos adolescentes em conflito com a lei não foi ouvido pela categoria. Campos diz que o governo pretende retirar a unidade da Padre Cacique, mas não apresentou a área onde serão construídas as novas unidades em Porto Alegre.

Conforme o presidente da Associação de Moradores da Vila Gaúcha, uma das maiores comunidades da grande Santa Tereza, a intenção dos moradores é que o projeto seja retirado da pauta da Assembleia. Darci Campos dos Santos afirma que as comunidades querem que a proposta contemple a urbanização da área, gerando emprego e renda para as pessoas. Além disso, Darci diz que as famílias esperam pela regularização das terras onde moram há mais de 50 anos.


“Nós queremos que a comunidade seja organizada e urbanizada. Nós não aceitamos que a área seja desmatada, pois nós cuidamos para não desmatar e agora eles (governo) vendem para as construturas e vão desmatar toda a área que os próprios moradores cuidaram”.

O projeto de lei seria votado nesta terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia gaúcha, mas o deputado Elvino Bohn Gass (PT) pediu vistas do projeto e a votação foi adiada. Entretanto, a proposta pode retornar para a pauta da Comissão na próxima semana, e se tiver quórum, corre o risco de ser aprovada.

Fotos de Eduardo Seidl.

A Catarse registrou toda a mobilização. Em breve, o vídeo.

Debate sobre biodiversidade no Ingá

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Instituições de 4 estados discutem ações em rede para produção e manejo da Palmeira Juçara

Entre os dias 22 e 24 de abril reuniram-se em Presidente Getúlio, município do Vale do Itajaí, Santa Catarina, cerca 25 pessoas de 4 estados para a discussão dos processos da Rede Juçara - uma articulação entre produtores da Palmeira Juçara e outras entidades e atores sociais interessados na conservação sustentável da Mata Atlântica. Como uma das principais propostas levantadas está a utilização do fruto da árvore como alimento, valorizando-se a manutenção da Palmeira em seu ambiente.

"A produção de polpa dos frutos é uma alternativa de geração de renda bastante promissora para a agricultura, e, aqui, no Vale do Itajaí, a Palmeira Juçara está bastante presente. Além disso, ela responde à necessidade de atender à legislação de adequação ambiental através do seu uso nas áreas de reserva legal, e a ampliação, através do seu plantio, com certeza também fovorece à fauna, à regeneração das florestas e à recuperação das águas" - aponta Alexandre Prada, do CEMEAR, com sede em Presidente Getúlio e responsável pela organização do evento.

Durante os 3 dias de conversas, a rede discutiu amplamente a sustentabilidade no manejo da palmeira, dando-se ênfase ao uso do fruto da Juçara e o seu processamento. No dia 23, estiveram também presentes no salão paroquial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Meio Ambiente e da organização alemã GTZ, de atuação em projetos de preservação ambiental em toda a América do Sul.

"A rede vem desenvolvendo um trabalho de inserção política tanto junto aos estados em que atua como nos ministérios para desenvolvimento social e ambiental de agricultores familiares e comunidades tradicionais através do desenvolvimento da cadeia produtiva da Palmeira Juçara" - comenta Luciano Corbellini, coordenador do projeto que viabilizou a reunião e membro do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (IPEMA), com sede em Ubatuba/SP.

O evento serviu para que as organizações envolvidas dessem continuidade na consolidação da rede e nas atividades que estão sendo implementadas para mapear a produção da Juçara nos estados do RS, SC, RJ e SP, além de se estabelecerem novas estratégias de manutenção, novos projetos e estratégias de comercialização e, acima de tudo, buscar um entendimento sobre a legislação ambiental no manejo da palmeira e a constituição de um debate que fomente novas políticas públicas para o setor.




A Juçara


Espécie nativa da Mata Atlântica, serve de alimento à fauna e auxilia na recuperação das águas. Através do processamente de seus frutos, gera a Polpa de Juçara, um alimento extremamente rico, que pode tanto complementar a alimentação como ser a principal fonte de nutrição das pessoas.

domingo, 25 de abril de 2010

RS financia transgênicos para pequenos produtores: "acabe com a semente crioula do seu vizinho"

por Marília Gonçalves, do Assentamento Tamoios, em Herval/RS

Na semana em que pesquisas no Estado do Paraná apontam que o milho transgênico é mais contaminador do que afirmam o Ministério da Agricultura juntamente com a CTNBio, o Rio Grande do Sul noticia a compra de sementes de milho transgênico para o Programa Troca-troca de sementes que funciona através de parceria da Secretaria da Agricultura com prefeituras, associações e sindicatos rurais e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag).

O que seria uma saída, mal administrado vira um problema

Pra quem não conhece, o programa foi criado para subsidiar sementes de cebola e milho pra pequenos produtores. Cada produtor tem uma cota máxima de sementes o qual pode pegar. Depois da colheita, o agricultor devolve o tanto de sementes que pegou abastecendo assim um banco de sementes estadual que coloca as sementes à disposição de outros produtores que seguem o ciclo, isso na criação do programa em meados de 1996.

Mas, de acordo com a política de aplicação de cada novo Governo, o projeto foi se modificando. No início se fazia fundamental o uso de sementes crioulas, já que outros tipos se sementes perdem a capacidade de germinação ou são estéreis. Em função da mudança de política de aplicação do programa, a Secretaria de Agricultura deixou de administrar um banco de sementes e passou a negociar com empresas donas de variedades, impossibilitando assim, o desenvolvimento de sementes do produtor, que passaram a pagar a sua semente com grãos de milho. Devolvendo ao estado grãos em maior quantidade (pois a semente é mais cara que o grão), possibilitou que o estado tivesse o domínio sobre o jogo de mercado onde se segura ou se larga o produto para controle do preço.

No fim o projeto de conservação vira destruição

Nos últimos anos o programa vem trabalhando com o pagamento em dinheiro destas sementes. A única vantagem do produtor é que supostamente a semente só é paga depois de vendida a colheita. Digo, supostamente porque o tempo da natureza não é algo levado em conta pelos prazos da Secretaria de Agricultura, então, caso o produtor não tenha outra renda, perde a vantagem de esperar o preço subir para vender, tem que vender pra pagar a semente em maio e ponto, fora casos especiais como situação de emergência, ou calamidade do município.


Com a notícia desta semana, de que o estado do RS irá comprar sementes transgênicas para o programa Troca-troca me surgiram várias dúvidas e uma indignação sem tamanho. Primeiro não entendo porque manter o nome do programa? Porque não chamá-lo de “venda sua alma”, ou ainda “acabe com a semente crioula do seu vizinho”. Fora a brincadeira de mau gosto, mas sincera, eu gostaria que o estado do RS pelo menos criasse uma nova concepção clara para o programa, já que no site da Secretaria da Agricultura fala muito pouco da história do programa, não fala da concepção, e ainda faz uma campanha à favor do Governo atual.




TROCA-TROCA DE QUÊ? TROCA DE LIBERDADE DE PLANTIO POR ALGEMAS DA BAYER? TROCA DE PRODUÇÃO BARATA POR PESOS DE AGROQUÍMICOS? TROCA DE CULTURAS ORIGINÁRIAS POR CÂNCERES EUROPEUS?

Acabaram de comprometer toda produção de milho do RS, e isso é muito sério. A base alimentar da pequena propriedade é o milho. A situação é preocupante, temos que fazer algo, temos que agir.


para falar com Marília: mariliazuzu@gmail.com

Manifesto contra a anistia aos torturadores!

Na 4ª feira, dia 28/04/2010, o Supremo Tribunal Federal julgará a ADPF-153 sobre a Lei da Anistia. Os Ministros irão decidir sobre um tema grave nos dias de hoje: a IMPUNIDADE DA TORTURA em nosso país. Esta decisão é importante, pois uma derrota representará a não apuração dos crimes de lesa-humanidade praticados no Brasil, entre os anos 1964-1985, ocorridos durante o regime militar. Caracterizará também o descumprimento dos tratados internacionais RATIFICADOS PELO BRASIL sobre Direitos Humanos junto à ONU e será um retrocesso que contribuirá para a banalização da tortura no país.

NÃO VAMOS DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA!

CLIQUE AQUI PARA PARTICIPAR DA CAMPANHA.


Aproxima-se a data, cuja espera é de longos anos.

O Estado brasileiro deverá julgar a ADPF 153 e queremos que diga:
A Lei de Anistia não se aplica aos crimes praticados, pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar, assim como já fizeram outros países.

Os crimes praticados durante a ditadura, como tortura, assassinato e desaparecimentos forçados, são crimes contra a humanidade e nesta medida não podem ser anistiados.

Clique aqui e assista ao Documentário "Apesar de Você - os caminhos da justiça".

sábado, 24 de abril de 2010

Catarse entrevista ruralistas que trancam acesso ao Quilombo de Palmas em Bagé



O Coletivo Catarse entrevistou os ruralistas que estavam vigiando o acesso ao Quilombo de Palmas em Bagé - RS, no dia 18 de abril. O INCRA pediu auxílio a Polícia Federal para acessar o quilombo ontem, dia 23, para realizar uma reunião com a comunidade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010


A Catarse também está na conservação da Mata Atlântica


Somos membros da Rede Juçara.
Junto com outras 14 instituições de RS, SC, RJ e SP, integramos um processo que visa a planejar o manejo sustentável da Palmeira Juçara.
Esta árvore que dá frutos como o açaí paraense e que se encontra entre as espécies palmiteiras e em estado de extinção.
Nosso papel será o de fazer a comunicação da rede, para dentro e para fora, e participar dos debates e discussões acerca das políticas públicas de conservação e recuperação daquilo que resta da Mata Atlântica.
Nessas áreas em questão, onde se quer migrar da derrubada da palmeira para extração do palmito para o processamento do fruto - mais nutritivo que o açaí paraense -, encontram-se comunidades quilombolas, indígenas e pequenos agricultores que sofrem com a ação de contrabandistas de palmito e com o pouco recurso disponível em áreas remotas.
Estamos, então, na reunião que irá até amanhã, dia 24, em Presidente Getúlio, Santa Catarina, no Vale do Itajaí.

Nós, indígenas do Xingu, não queremos Belo Monte

Nós, indígenas do Xingu, estamos aqui brigando pelo nosso povo, pelas nossas terras, mas lutamos também pelo futuro do mundo.

O presidente Lula disse na semana passada que ele se preocupa com os índios e com a Amazônia, e que não quer ONGs internacionais falando contra Belo Monte. Nós não somos ONGs internacionais.

Nós, 62 lideranças indígenas das aldeias Bacajá, Mrotidjam, Kararaô, Terra-Wanga, Boa Vista Km 17, Tukamã, Kapoto, Moikarako, Aykre, Kiketrum, Potikro, Tukaia, Mentutire, Omekrankum, Cakamkubem e Pokaimone, já sofremos muitas invasões e ameaças. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, nós índios já estávamos aqui e muitos morreram e perderam enormes territórios, perdemos muitos dos direitos que tínhamos, muitos perderam parte de suas culturas e outros povos sumiram completamente. Nosso açougue é o mato, nosso mercado é o rio. Não queremos mais que mexam nos rios do Xingu e nem ameacem mais nossas aldeias e nossas crianças, que vão crescer com nossa cultura.

Não aceitamos a hidrelétrica de Belo Monte porque entendemos que a usina só vai trazer mais destruição para nossa região. Não estamos pensando só no local onde querem construir a barragem, mas em toda a destruição que a barragem pode trazer no futuro: mais empresas, mais fazendas, mais invasões de terra, mais conflitos e mais barragem depois. Do jeito que o homem branco está fazendo, tudo será destruído muito rápido. Nós perguntamos: o que mais o governo quer? Pra que mais energia com tanta destruição?

Já fizemos muitas reuniões e grandes encontros contra Belo Monte, como em 1989 e 2008em Altamira-PA, e em 2009 na Aldeia Piaraçu, nas quais muitas das lideranças daqui estiveram presentes. Já falamos pessoalmente para o presidente Lula que não queremos essa barragem, e ele nos prometeu que essa usina não seria enfiada goela abaixo. Já falamos também com a Eletronorte e Eletrobrás, com a Funai e com o Ibama. Já alertamos o governo que se essa barragem acontecer, vai ter guerra. O Governo não entendeu nosso recado e desafiou os povos indígenas de novo, falando que vai construir a barragem de qualquer jeito. Quando o presidente Lula fala isso, mostra que pouco está se importando com o que os povos indígenas falam, e que não conhece os nossos direitos. Um exemplo dessa falta de respeito é marcar o leilão de Belo Monte na semana dos povos indígenas.

Por isso nós, povos indígenas da região do Xingu, convidamos de novo o James Cameron e sua equipe, representantes do Movimento Xingu Vivo para Sempre (como o movimento de mulheres, ISA e CIMI, Amazon Watch e outras organizações). Queremos que nos ajudem a levar o nosso recado para o mundo inteiro e para os brasileiros, que ainda não conhecem e que não sabem o que está acontecendo no Xingu. Fizemos esse convite porque vemos que tem gente de muitos lugares do Brasil e estrangeiros que querem ajudar a proteger os povos indígenas e os territórios de nossos povos. Essas pessoas são muito bem-vindas entre nós.

Nós estamos aqui brigando pelo nosso povo, pelas nossas terras, pelas nossas florestas, pelos nossos rios, pelos nossos filhos e em honra aos nossos antepassados. Lutamos também pelo futuro do mundo, pois sabemos que essas florestas trazem benefícios não só para os índios, mas para o povo do Brasil e do mundo inteiro. Sabemos também que sem essas florestas, muitos povos irão sofrer muito mais, pois já estão sofrendo com o que já foi destruído até agora. Pois tudo está ligado, como o sangue que une uma família.

O mundo tem que saber o que está acontecendo aqui, perceber que destruindo as florestas e povos indígenas, estarão destruindo o mundo inteiro. Por isso não queremos Belo Monte. Belo Monte representa a destruição de nosso povo.

Para encerrar, dizemos que estamos prontos, fortes, duros para lutar, e lembramos de um pedaço de uma carta que um parente indígena americano falou para o presidente deles muito tempo atrás: "Só quando o homem branco destruir a floresta, matar todos os peixes, matar todos os animais e acabar com todos os rios, é que vão perceber que ninguém come dinheiro.”

Assinam Cacique Bet Kamati Kayapó, Cacique Raoni Kayapó e Yakareti Juruna.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A vida acima da mercadoria

"Nas culturas indígenas a reciprocidade – obrigação de retribuir e de ser generoso - é o que regula as relações entre as pessoas, entre as famílias, entre as comunidades... O homem é visto como parte de uma grande cadeia, na qual ele dá e recebe, e da qual ele depende para sobreviver. E a vida humana só é assegurada quando se garante a vida de outros seres e quando se estabelece relações respeitosas com a terra, com a água, com o ar.

A economia, na maioria dos povos indígenas, funciona como um sistema de comunicação e de redistribuição dos bens, diferenciando-se do capitalismo porque não é competitiva, nem acumulativa e nem preventiva. Em outras palavras, as relações indígenas não se baseiam na competição para ocupar lugares privilegiados, nem no anseio de acumulação dos bens disponíveis, e nem num desejo de reter objetos e produtos para assegurar o bem estar futuro, pois este bem estar se alcança através de boas e fortes relações recíprocas. As características da sociedade capitalista geram uma exclusão cada vez mais violenta, pois funcionam para concentrar os recursos nas mãos de poucos.

Olhando para as formas de viver dos povos indígenas, compreendemos que as diferenças não são apenas aparentes e que suas culturas se organizam a partir de lógicas distintas da nossa. Apesar do intenso contato que estabelecem com nossa sociedade, a maioria destes povos mantém formas de se relacionar com a terra e com a natureza marcada por uma dimensão religiosa. Terra é espaço sagrado onde se estabelecem tanto as relações com o mundo espiritual como as relações familiares e comunitárias.

Um exemplo das relações cotidianas do “bem viver” pode ser encontrado nas práticas Guarani. Na terra, espaço sagrado e vital, eles cultivam variedades de plantas medicinais, frutíferas e para o alimento diário. Quando há terra demarcada e assegurada, suas aldeias são construídas em lugares cobertos de mata e com nascentes de água. Os Guarani denominam esses locais de tekoha, um lugar que congrega aspectos físicos – terra, mato, campo, água, animais, plantas, remédios etc. – com condições espirituais que proporcionam o bem viver. E nestes espaços é que se realiza o teko, o “modo de ser”, “o jeito de viver” do povo Guarani.

As formas como os Guarani se relacionam com suas terras se vincula a uma compreensão própria da vida, como um contínuo caminhar, que se desenvolve num extenso território ocupado ancestralmente. E talvez o aspecto mais importante do estilo de vida dos Guarani é o da valorização das pessoas, de suas experiências, de seus conhecimentos, de seus sonhos."

O texto acima é parte do material Semana dos Povos Indígenas 2010, mais uma publicação lançada pelo Cimi para que os brancos possam compreender, respeitar e garantir o direito dos povos originários do Brasil de viverem conforme sua cultura. A partir dessa consciência, é possível entender também a luta desses povos em defesa do meio ambiente, contra projetos como as grandes hidrelétricas do rio Madeira, de Belo Monte no rio Xingu, e a transposição das águas do rio São Francisco.

Leia também a postagem Todo dia é dia de índio, sobre como o Legislativo gaúcho recebeu as demandas dos povos indígenas na segunda, 19 de abril.

Foto 01: Urueu-Wau-Wau/RO, por Maria Lúcia Cardoso / Arquivo Cimi
Foto 02: Maxakali, por Marcus Breuss / Arquivo Cimi

terça-feira, 20 de abril de 2010

Quilombo de Palmas cercado pelos ruralistas



A Comunidade do Quilombo de Palmas, na região de Bagé/RS, está sofrendo pressão de fazendeiros, que estão em vigília na entrada do quilombo há 15 dias. Representantes do Movimento Negro denunciaram ao Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa RS, ao Ministério Público Federal e Estadual, além de outros órgãos, esta presença ostensiva em via pública gerando constrangimentos e impedindo, inclusive, a entrada do INCRA para a realização do trabalho de demarcação da área.

Um documento elaborado pelos representantes do movimento negro ontem, dia 20, exige providências aos órgãos responsáveis, como a polícia federal, Secretaria de Segurança Pública do RS, Ministério Publico Federal e Estadual, a Procuradoria do Incra entre outros. Exige-se que estes órgãos garantam a integridade física e moral dos Quilombolas e das Lideranças da Associação, bem como, da defesa do território que se encontra com a presença dos ruralistas fiscalizando o movimento de quem passa para impedir que o INCRA acesse o quilombo.


*não foram utilizados depoimentos dos quilombolas neste vídeo por solicitação dos mesmos, que temem por represálias por parte dos ruralistas

Todo dia é dia de índio

Guaranis das aldeias da Estiva, Lomba Grande, Lomba do Pinheiro e Lami foram ontem à Assembléia Legislativa como parte da manifestação oficial alusiva ao Dia do Índio. Não comemoraram nada, pelo contrário, a reunião promovida pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos a pedido do Conselho Indigenista Missionário (CIMI-Sul) só serviu para confirmar o desinteresse pela mobilização guarani. São incontáveis as demandas apresentadas para garantir a mais simples de suas vontades roubadas, a de conduzir com tranquilidade o caminho da vida plena de seu povo em territórios tradicionais, sempre servido da natureza sadia.

A única deputada presente, Stela Farias, estava ali para cobrir a ausência de seu colega de partido Dionilson Marcon, obrigado a se afastar de Porto Alegre para uma situação de emergência envolvendo comunidades quilombolas do Litoral Sul do Estado.

O registro em áudio e vídeo, praxe em qualquer evento da Casa, não foi previamente providenciado e precisou de solicitação do presidente do Conselho de Articulação dos Povos Indígenas Guarani [CAPI], Maurício da Silva Gonçalves. A lembrança permitiu registrar oficialmente a orientação espiritual da opy Laurinda [na foto na lateral], que num discurso longo, em guarani, disse de toda a tristeza de suas crianças pela perda de suas tradições culturais, as mesmas que minutos antes entoaram o Canto à Tupã, descalças em carpetes, concentradas pela alma, desejando sensibilização entre os povos.

Depois do ritual, a deputada foi surpreendida por cada reivindicação dos guaranis, na maioria direitos fundamentais assegurados pela Constituição. Acabou dizendo aos indígenas que os apoiava [seja lá o que isso signifique], se sentia privilegiada em estar recebendo a comitiva, que os guaranis, quiçá, poderiam encaixar as demandas apresentadas a ela "no espírito democrático da campanha eleitoral do próximo outubro" e que a Comissão deveria organizar um ciclo de encontros para preparar o que ela não sabia se seria dossiê, relatório, diagnóstico, documento ou alguma outra coisa do tipo sobre a situação atual das comunidades no Estado. Por fim, garantiu ao índios que a maioria dos colegas não está sensível a transformar as situações precárias das comunidades. Nada de novidade, declararam as lideranças na conversa que fizemos após a reunião.

E veja lá. No mesmo dia, a agenda da Assembléia estava concentrada no lançamento do programa "Cooperação: o Rio Grande acima das diferenças", em café da manhã com a imprensa [estramanhos aqui na Catarse: só fomos convidados para o Dia do Índio].

O que propõem os nobres?
Durante este ano, o Parlamento gaúcho vai incentivar a cooperação para que a sociedade viva melhor e as dificuldades sejam superadas. Este é o objetivo da bandeira levantada por Cherini na gestão 2010. “Unidos podemos obter resultados positivos para todos, por meio da difusão de valores, da educação, da solidariedade e do desenvolvimento sustentável”, afirmou o presidente.

Deveriam começar escutando a gravação da opy Laurinda. Gravamos toda em vídeo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fomos a Bagé: conflito que se desenha por área de quilombolas deflagra mais do que o aparente

Domingo, 3 horas da manhã.
Estamos parados em meio ao metro quadrado mais caro da capital do Rio Grande do Sul. Antes, passamos na avenida de um shopping classe A, por concessionária da Mercedes e por um McDonald's.
Deu pra ver algumas mansões, alguns condomínios horizontais que, de fora, mais parecem grandes prisões - chiques -, pela altura de seus muros.
O sono pegando forte, afinal, ontem havia sido sábado e a viagem de domingo não fora planejada.
Mas lá estávamos nós, uma equipe do Coletivo Catarse, Gustavo, Valentim e Bolivar, parados em frente a uma obra embargada, um "prédio pros filhos dos bacanas" - ouvimos isso outra vez que estivemos por ali.
Na contemplação daquela noite quieta, impossível não mirar à esquerda a grande placa que dá a entrada naquele que talvez seja o grande símbolo contemporâneo da luta popular e da resistência nos espaços urbanos aqui do sul: o Quilombo da Família Silva.
Entre um mate e outro, conversa indo sobre o que encontraríamos no nosso destino, eis que chegam as lideranças do Movimento Negro Unificado e outro do próprio Quilombo.
Pronto, podemos ir!
Foram cerca de 4 horas de estrada até Bagé - o mais novo ponto de disputa por território que vem contrapondo os ávidos defensores do ruralismo aos pequenos e ao trabalho do INCRA (clique aqui para ler nota oficial).
Saímos do asfalto e entramos em uma estrada de chão batido, 15 quilômetros mais tarde, uma barricada com grandes galhos impedia a nossa passagem, mais adiante era possível perceber um acampamento num entroncamento da mesma estrada.
Arrastamos uns galhos, passamos pelo canto, crianças que estavam escondias correram pra avisar alguém de alguma coisa e cruzamos pelo acampamento onde um casal tomava um mate.
Nos olharam, não cumprimentaram - o que seria de praxe pelas bandas do interior.
Dobramos à esquerda, seguimos, atrás de nosso comboio apareceu um quarto carro, ou melhor, camionete, estranho a nosotros.
Chegamos ao nosso destino, e aquele último, com a certeza de sua missão cumprida, passou, olhou, fez a volta e sumiu pelo caminho que viemos.
Lá, no agora Quilombo das Palmas, fomos recebidos e colocados em uma roda embaixo de um pequeno capão de mato, atrás de uma simples casa, circundados por gatos, cachorros, cabras, vacas e tudo mais o que a natureza pode nos proporcionar de um cenário bucólico como este.
Na conversa, os representantes de movimentos de resistência afirmaram seu apoio na luta pela demarcação das áreas de quilombo - que vão, para além dos trezentos e poucos hectares já existentes, segundo laudo antropológico, aumentar em mais de 400 hectares a área daquelas 42 famílias.
Causou "estranheza" - claro que não! - a todos o fato de que, por já 13 dias, aqueles ruralistas estariam fazendo barricadas em via pública, teriam impedido o trabalho de um órgão federal como o INCRA e constrangido não só trabalho da Procuradoria do MPF, mas a vida de todas aquelas pessoas que passam por ali, amigos, parentes ou simplesmente passantes, e absolutamente nada foi feito no sentido de se resolver a situação.
Fossem os "times" trocados, fosse o movimento social no lugar dos ruralistas e certamente, no primeiro dia, até helicópteros da Brigada Militar estariam sobrevoando o local - esta era a visão unânime de todas as lideranças presentes na reunião.
Após os encaminhamentos e um belo almoço, saímos de volta, rumo a Porto Alegre.
Na passada pelo local do acampamento, já não eram somente duas, mas umas vinte pessoas. No cenário montado, dava pra perceber um pernil de ovelha assando e latas de cerveja espalhadas - tudo muito normal, inclusive. A barricada já não existia mais.
Enquanto os membros do nosso comboio passaram, o dever nos fez parar, descer e conversar.
Nos atendeu para uma entrevista aquele que havia nos seguido lá, às 8 horas da manhã, até a entrada da área quilombola.
"Nosso problema não são os negros, é com o INCRA!"; "O INCRA está colocando o negro contra o branco, o pobre contra o rico!"; "Por que eles querem fazer uma associação? Por que dar as terras para uma cooperativa? Por que não deixar a terra no nome dos que já estão aí?"; "Nunca teve quilombo aqui! Quilombo é área de escravos que fugiram. Aqui, esse pessoal sempre esteve aí."; "Pra que mais 400 hectares? É o MST travestido por trás disso..." - e por aí iam as colocações.
Estávamos cercados, impossível não dizer que nos sentimos coagidos, mas fomos, sim, respeitados pelos ruralistas, nos identificamos enquanto comunicadores que exploram o ponto-de-vista dos movimentos sociais e retornamos a Porto Alegre.
Na bagagem, cerca de 2 horas de material captado em vídeo, depoimentos dos dois lados e a certeza de que ali, por detrás da cortina da desapropriação de terras, se desenha mais um desdobramento evidente do que está acontecendo no Brasil: a LUTA DE CLASSES.

Alguns dos presentes na reunião: na mesa, nossa arma, a câmera, ao fundo, Valentim e Bolivar são participantes, por detrás desta foto está o meu olhar.

A força do JORNALISMO sem patrão e a miséria do jornalismo conivente

Reforça nossa confiança no JORNALISMO AUTÔNOMO, INDEPENDENTE e ENGAJADO que escolhemos para o Coletivo Catarse, quando compartilhamos novidades sobre projetos de vanguarda que alcançam ótima repercussão com nível sofisticado de organização e produção de conteúdo relevante à sociedade. Nosso cooperado Bolívar Almeida voltou semana passada de Buenos Aires com o último exemplar [abril 2010] do MU, editado pela Cooperativa de trabalho LAVACA. Um jornal de puta madre. MU é um dos braços do empreendimento solidário LAVACA, que conta ainda com uma agência de notícias, editora de livro, faculdade autônoma de Comunicação Social, espaço para oficinas de contrainformação, coberturas engajadas em situações de repressão social e agressão ao direitos humanos, ações de formação para organizações sociais e o MU Puento de Encuentro, um espaço físico que é uma loja-bar-livraria-casa coleiva com uma intensa programação cultural.

clique nas imagens para aumentar o tamanho

NARCO SOJA
Reportagem especial de capa do MU é sobre o envenenamento do campo e dos camponeses argentinos no modelo de morte da soja-dependência.
A revista abre com o caso vitorioso na Justiça do pueblo de San Jorge, em que uma associação de vizinhos conseguiu barrar a pulverização com bombardeios aéreos de agroquímicos nas lavouras fronteiriças à comunidade, que vive no bairro Urquiza, local onde muitos morreram de doenças ligadas aos venenos e a maioria das crianças apresentava sintomas alergênicos desde o nascimento.

Apresenta, na sequência, a exeperiência agroecológica da fazenda Naturaleza Viva, que trabalha a tecnologia de processos biodinâmicos, num modo de aplicar a ciência compreendendo a natureza, onde não se usa herbicidas, pelo contrário, se investe em campos rentáveis, férteis e com melhoramento de solos contínuos.


Dá outra página para uma entrevista sobre o livro Millonarios, chacareros y perdedores en la nueva Argentina Rural, com seu autor Gonzáles Arzac, que relata a verdadeira dimensão da concentração econômica na estrutura fundiária argentina, "donde miles de personas son hoy obligadas al éxodo hacia las periferias de la pobreza humana".

Outras duas páginas com esclarecimentos do professor Raúl Montenegro, biólogo especialista em temas ambientais, Premio Nobel Alternativo em 2004, sobre La cruel verdad de la soja.
E fecha com a matéria sobre o documentário infantil El cuento de la buena soja [assista o vídeo na janela do Youtube logo abaixo e entre no site do projeto], que numa linguagem fácil convida as crianças a pensarem algumas questões como a origem dos alimentos e as implicações do avanço da monocultura.
Há mais 11 matérias, que ocupam as 24 páginas do periódico, inclusive, uma excelente reportagem sobre a organização do Movimento Sem Teto brasileiro.





JÁ O jornalismo DO ATRASO

Agora a comparação, para evidenciar o narco-jornalismo brasileiro da matéria paga, estilo que domina principalmente a cobertura obscura sobre o campo, em que as grandes empresas do setor financiam as investidas midiáticas feitas por jornalistas bundões que fazem qualquer negócio com a venda de seu trabalho para patrões. Ao lado, capa da última edição [também de abril 2010] da "revista do agronegócio brasileiro" ISTO É DINHEIRO RURAL, com reportagem sobre o empresário [que coincidência!] argentino da soja que se tornou o maior produtor de grãos das Américas - 250 mil hectares de área plantada sem ser dono de nenhum deles.

Nenhuma linha sobre envenenamento, nenhum problema ambiental ou social. Só se lê alegria [$$$ a receita anual de Gustavo Gropocopatel é de US$ 700 milhões] e amenidades do tipo: "... ele é fã de Chico Buarque, não perde uma oportunidade de degustar uma boa caipirinha e, ainda que não reconheça que Pelé foi melhor que Maradona, se diz apaixonado pelo futebol brasileiro". Que bonito, não? Cuantas famílias, ese tío e su clase, han envenenado en Argentina? "La cuenta", por favor.

Bueno, bueno... - dice la mula al freno.

domingo, 18 de abril de 2010

Sobre a política de cultura...

“O Griô é um caminhante, cantador, poeta, contador de histórias, genealogista, mediador político. É um educador popular que aprende, ensina e se torna a memória viva da tradição oral. Ele é o sangue que circula os saberes e histórias, as lutas e glórias de seu povo dando vida à rede de transmissão oral de uma região e de um país. O papel do griô aprendiz é garantir a vitalidade e continuidade das redes de transmissão oral entre as gerações, as escolas e os pontos de cultura do Brasil” - ( Líllian Pacheco, criadora da pedagogia Griô)

Em março participamos através do Ponto de Cultura Ventre Livre do Teia Sul 2010. O Teia Sul é um encontro entre as ações do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, são ações propostas por organizações sem fins lucrativos da sociedade civil.

Lá, foi realizado coletivamente entre Ação Griô, Tuxáuas, Pontos e Pontões de Cultura um videoclipeda música Lá Vai, de autoria do Mestre Paraqueda sobre o Griô.

Este primeiro vídeo, o Mestre Paraqueda fala um pouco da música e a canta com o Tuxáua PC Soares.



Aqui, o videoclipe realizado durante o Teia Sul...

sábado, 17 de abril de 2010

14 anos do Massacre de Eldorado de Carajás

17 de abril de 1996
Município de Eldorado de Carajás
2 mil sem terra marcham na rodovia PA-150 por reforma agrária
Governador Almir Gabriel (PSDB) ordena desocupar a rodovia
Ação da Polícia Militar do Pará



19 trabalhadores rurais executados a sangue-frio
69 feridos
3 mortos dias depois
66 mutilados físicos
2 mil pessoas mutiladas na alma e na memória (palavras do jornalista Eric Nepomuceno)

144 incrimidados
2 condenados (coronel Mario Colares Pantoja e major José Maria Pereira Oliveira, da PM-PA)
Nenhum dos responsáveis está preso

A violência contra os sem-terra continua - Não saiu a Reforma Agrária

Do blog: Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária

Mecenas e arquiteto do cinema documentário

O post de sábado passado foi uma reportagem sobre alfabetização audiovisual. Aproveitando a passagem da cineasta educadora Moira Toledo por Porto Alegre, acompanhamos uma curso de Cinema e Educação ministrado por ela e realizamos uma entrevista bem interessante.

Para mantermos nos sábados o mesmo tema, decidimos compartilhar o lançamento da semana: a caixa de 7 DVDs com a obra de Thomaz Farkas, fotógrafo e produtor de documentearios brasileiros que são uma verdadeira aula de cinema: Viramundo, de Geraldo Sarno; Subterrâneos do Futebol, de Maurice Campovilla; Memórias do Cangaço, de Paulo Gil Soares - alguns dos que contaram com a generosidade artística e política de Farkas.

O preço é salgado, mas vale organizar uma turma e fazer a compra coletiva ou buscar copiá-lo. É material didático garantido para oficinas audiovisuais. Um olhar particular sobre a realidade nacional.

Para descobrir um pouco mais sobre Thomas Farkas, aproveite que ele é o homenageado do FestFotoPoA 2010, de 19 a 25 de abril, em Porto Alegre, no Santander Cultural, Rua Sete de Setembro, 1028 Praça da Alfândega.

clique na imagem para aumentar o tamanho




Reproducão: O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 15 de abril de 2010 [Caderno 2, D9]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Apoio à reforma agrária



“Não é de hoje que os movimentos sociais sofrem ataques constantes na mídia coorporativa, mas de uns tempos pra cá, a intenção de criminalizar esses movimentos tem assumido níveis absurdos. Os movimentos do campo, que lutam contra o latifúndio, são os mais atingidos. Para dar uma resposta a isto, foi lançada nacionalmente, no último 11 de março em São Paulo, a Rede de Comunicadores em apoio à Reforma Agrária.

Nesta quarta-feira, dia 14 de abril, comunicadores aqui do Rio Grande do Sul se reuniram na sede do Coletivo Catarse para conversar sobre que função esta rede poderia ter aqui no estado, quem pode produzir conteúdo e disponibilizar para o blog já existente http://www.reformaagraria.blog.br/.
Estiveram presentes representantes do próprio Catarse, do coletivo Mulheres Rebeldes, da Ass. de Comunicação do MST e da Regional Metropolitana da Abraço-RS.

Neste primeiro de muitos encontros,trocamos ideias e informações, reafirmamos a importância de ampliar o debate em relação à Reforma Agrária e de fazer um contraponto ao modo como a mídia coorporativa vem tratando a questão. Como encaminhamento prático deste primeiro encontro, ficou o comprometimento de ampliarmos o debate entre os próprios comunicadores (radialistas, blogueiros, cartunistas, muralistas...), para assim termos folego para uma agenda mais propositiva."

O texto acima é do Rodrigo, integrante da Rádio Comunitária A Voz do Morro e da Abraço, que esteve na Catarse na última quarta pra gente levar esta conversa que ele descreve. Queremos estabelecer um fórum de debates permanente, entre pessoas que trabalham com comunicação, para produzir conteúdos sobre reforma agrária com os pontos de vista que nunca são contemplados na grande imprensa, e construir novos espaços para veiculação. Não apenas assinar o manifesto de lançamento da Rede de Comunicadores em Apoio à Reforma Agrária e veicular o conteúdo do blog já existente nas páginas que mantemos, mas aprodundar a cobertura do cotidiano de quem vive, faz ou tenta fazer a reforma agrária.

O próximo encontro será dia 28 de abril, às 19hs, na Catarse (Protásio Alves, 2514, sala 401 - próximo da Barão do Amazonas e quase em frente ao Colégio Santa Inês - Petrópolis)."

Divulguem e apareçam!

Auto-retrato do primeiro encontro.

História de nossas vidas na de Sílvio Tendler

O documentarista de maior audiência do Brasil faz o lançamento de sua narração cinematográfica pessoal, o filme Utopia e Barbárie, nesta segunda-feira em Porto Alegre.

"Eu pego os últimos 50 anos do século vinte e trabalho articulando o final da 2ª Guerra até 2010 - a era das utopias. Esse é pra quem quer discutir o mundo em que a gente vive e quer interferir no futuro".

Veja divulgação do Sindbancários na imagem mais abaixo.

Baixe aqui a revista do filme.

Coletivo Catarse irá fazer cobertura da pré-estréia.




Clique na imagem para aumentar o tamanho.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Projeto PANCs: soberania alimentar e biodiversidade palpável

Estamos disponibilizando na íntegra, mas em 4 partes, o vídeo promocional sobre o Projeto PANCs [nas janelas mais abaixo], elaborado pela nutricionista Irany Arteche para assentados do MST/RS e promovido pela Superintendência da CONAB/PNUD, com oficinas ministradas pelo botânico Valdely Kynupp sobre plantas com grande potencial alimentício e de comercialização, mas que costumam ser negligenciadas. "Somos xenófilos, o brasileiro não come a biodiversidade que tem", adverte Valdely.

O objetivo do registro é colaborar na divulgação desta experiência para outros assentamentos de reforma agrária e organizações de agricultores familiares nas diferentes regiões do Brasil. Servirá como material pedagógico para cursos que tratem de alternativas para agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional, diversificação agrícola, processamento de novos produtos e alimentos.

Kinupp, em sua tese de doutorado, estudou 1.500 espécies dessas plantas na Região Metropolitana de Porto Alegre e apontou cerca de 311 com potencial alimentío, descobrindo que pelo menos 100 delas têm grande potencial para enriquecer nossa alimentação, gerar renda e ainda conservar a natureza. São plantas que nascem de forma espontânea e podem ser encontradas, com facilidade, em qualquer beira de estrada, terrenos baldios, hortas e áreas cultivadas, bem como nas florestas nativas.

Entrevista com Valdely Kinupp
O que de especial te motivou a trabalhar com as plantas alimentícias não-convencionais?
Foi a questão econômica e de sustentabilidade, mas também o prazer de fazer um trabalho novo, praticamente inédito, da forma como foi feito. Pensando numa alternativa, desde a sobrevivência na selva, na lida do campo, mas também numa perspectiva de geração de renda, empregos, conservação da natureza, porque hoje a gente vive uma monotonia alimentar. As PANCs, e nossa biodiversidade como um todo, seja ornamental, medicinal, madeireira são, muitas vezes, negligenciadas. Especialmente as alimentícias aqui no Brasil - se a gente olhar a nossa mesa, no que existe de cardápio nos restaurantes, dos self-service ou nas gôndolas dos supermercados e nas feiras, praticamente tudo é exótico, pouco é local, com baixa importância regional, nacional e, muito menos, internacional. O RS, mesmo sendo considerado um dos celeiros do Brasil, não está adaptado a futuras mudanças climáticas - e vários estudos internacionais vêm mostrando que as plantas regionais, as ditas plantas "daninhas", as plantas espontâneas, são muito mais adaptadas [até por rotas metabólicas e fisiológicas diferentes] ao aumento do gás carbônico e da temperatura no ar, em comparação com as commodities agrícolas. Não estamos preparados para catástrofes e desastres ambientais, porque as pessoas não sabem mais o que comer do seu quintal. E isso é um ciclo vicioso. As crianças deveriam aprender desde cedo nas escolas que existem milhares de plantas que podemos comer. Isso deve ser rotineiro, para que as pessoas deixem de encarar como comportamento de pobre que está passando por carência ou comida para porco [...] Leia a resposta na íntegra

parte 1


parte2


parte 3


parte 4

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Luta de classe existe, sim!

O blog Ponto de Vista, do jornalista e professor da UFRGS Wladymir Ungaretti, é leitura obrigatória para se compreender melhor como a mídia faz o jogo do poder, se confunde com ele e trabalha para manter o sistema. Sistema de exploração das pessoas e do ambiente, que mantém a pobreza material de bilhões e que empobrece também o espírito. Quem não enxerga a luta de classes em que vivemos, precisa passar lá no blog e acompanhar a leitura crítica que o WU nos ajuda a fazer.

Veiculamos aqui sua postagem de hoje na íntegra, mas não deixe de ir direto na fonte:

“Assistindo à TV, somos pressionados a acreditar que, se nos encharcarmos de cerveja, tornar-nos-emos guerreiros (brameiro/guerreiro). Não se trata de mera promessa identificatória, técnica banal de propaganda. No caso específico, ao seduzir o espectador, equiparando valentia e consumo, a mensagem acena para o sucesso. Mas, na verdade, o conduz para o alcolismo, simultaneamente exaltado como meta. Essa talvez não seja uma experiência tão nova, mas, certamente, é expressiva da aprentação contemporânea da perversão.” (trecho de uma das matérias da revista Cult com o dossiê Novas Formas de Perversão)
E o papel da mídia corporativa em tudo isso? E o ensino de comuniciologia com habilitação em publicidade? E as campanhas de “marquetim” de crack nem pensar? E a hipocrisia? Nosso país está entre os primeiros em consumo de cerveja. Uma das piores cerveja do mundo.
Ninguém discute os padrões de consumo.

“É fácil ver por que esse livro gerou, e continua gerando, um impacto tão contundente. De um lado, muitas reações negativas; de outro, muita gratidão pelo apoio recebido. Acima de tudo, é um estudo da pobreza e sobre a força das divisões de classe subjacente a ela. Orwell nota, com desprezo, que em 1937 era moda dizer que as divisões de classe estavam desaparecendo na Grã-Bretanha. Vinte anos depois publiquei um livro que apresentava um argumento semelhante, e alguns críticos disseram que eu estava redondamente enganado, pois o sentimento de classe estava praticamente morto na Inglaterra. Mais trinta anos se passaram e as mesmas coisas continuam sendo ditas. As distinções de classe não morrem; apenas aprendem novas maneiras de se expressar. A atitude de Orwell diante dessa questão é inteiramente atual. A cada década, declaramos, cheios de astúcia, que já enterramos as divisões de classe; e a cada década o caixão continua vazio.”
LUTA DE CLASSE EXISTE, SIM!



Já está nas livrarias “O caminho para Wigan Pier”, de Goerge Orwell, da Companhia das Letras. Um texto polêmico. A primeira parte uma grande reportagem sobre a situação da classe operária, no início do século passado, no norte da Inglaterra. E, a segunda parte, com um texto ensaístico.
Leitura obrigatória para os JORNALISTAS.

############# um dos filmes brasileiros mais badalados nesse momento, no exterior, inclusive com algums premiações é “MANDA BALA”. Já ouviu falar desse filme? Pois procure no YouTube. O tema é a relação entre corrupção e violência nas cidades do país. A relação que o sistema valoriza é consumo de drogas e violência. É evidente que esta relação existe, mas não é a principal. Corrupção e violência é a própria cara (escondida) do sistema. Relação que a mídia corporativa não “enxerga”.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Agrofundamentalistas impedem INCRA de trabalhar em Bagé

Nota da assessoria de imprensa:

A Superintendência Regional do Incra no RS vem a público lamentar a situação de conflito criada em Bagé por proprietários rurais. Hoje pela manhã, técnicos do Incra estiveram a campo iniciando o levantamento fundiário necessário ao Relatório Técnico de Identificação e Delimitação do território da comunidade quilombola das Palmas. Um grupo de ruralistas cercou a equipe e não permitiu a realização do trabalho, dentro da área do próprio quilombo, em atitude totalmente ilegal e incompreensível.

Os servidores registraram queixa, e o Incra/RS está tomando providências para a realização do levantamento em segurança.

Cabe ressaltar que a atitude desmedida deste grupo depõe contra os avanços que o estado têm registrado nas políticas de reconhecimento dos direitos das comunidades remanescentes de quilombo. São do RS as duas primeiras comunidades quilombolas urbanas tituladas no país, no resgate de uma dívida histórica que o Estado brasileiro tem com o povo negro. Um avanço na cidadania, nos direitos humanos.

Em Bagé, a comunidade das Palmas habita a região há 200 anos. Em 2005, abriu processo no Incra para a regularização do seu território. Já possui laudo sócio-histórico-antropológico feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e o Incra/RS precisa iniciar os demais estudos necessários para definir o território a ser titulado em nome da comunidade.

Todo o processo é realizado de maneira pública, com muita tranqüilidade, seguindo a legislação competente, com acompanhamento do Ministério Público Federal. Uma vez publicado o RTID, há garantia de prazo de contestação por quem quer que se sinta prejudicado. Proprietários de áreas que devam ser desapropriadas são indenizados, a preço de mercado, conforme os termos legais.

Por tudo isto, é lamentável a atitude de um grupo como este em Bagé, que não buscou o diálogo, e sim o confronto. Só podemos entender que esta seja, terrivelmente para os gaúchos, a manifestação explícita de um racismo que tanto castiga o povo negro em nosso país, e que nos envergonha. Os quilombolas vizinhos, na visão destes proprietários, não têm o direito de registrar a sua própria terra.

Lamentamos esta atitude. Mas seguiremos o curso da história e da lei, e o município de Bagé poderá se orgulhar de ter resgatado a cidadania de seus quilombolas, quando a comunidade das Palmas estiver de posse de seu título, depois de séculos de espera.

Assessoria de Comunicação Social INCRA/RS
Jornalista: Marja Pfeifer (Mtb 8516)
E-mail: marja.coelho@poa.incra.gov.br
Fones: (51) 32843309/ 32843311

CORRENTE CONTRA A ANISTIA DOS TORTURADORES

Como participar desta corrente cidadã pela internet: assine a petição on-line e mande e-mail aos Ministros do STF.

Divulgue o documentário "Apesar de Você" em sua página ou blog, para isso você pode:

1- Lincar a página do Conversa Afiada em seu sitio recomendando a leitura: http://www.conversaafiada.com.br/video/2010/04/12/o-video-a-que-os-ministros-do-stf-deveriam-assistir-%e2%80%9capesar-de-voce%e2%80%9d-sobre-a-tortura/

2- Fazer rodar em sua página usando o código EMBED do seguinte vídeo:


3- Incluir banner de acesso: use a imagem acima e o link http://videotecavirtualbnm.blip.tv/

COMITÊ CONTRA A ANISTIA AOS TORTURADORES
Compareça dia 14/04 as 13h no STF em Brasilia
Divulgue esta corrente em suas listas

O Conversa Afiada reproduziu o email do amigo navegante Marcelo Zelic:

Caro Paulo Henrique Amorim o Supremo Tribunal Federal irá julgar na 4ª feira 14/04/2010 a ADPF 153, que é uma solicitação da OAB sobre a Lei de Anistia, pedindo uma definição dos ministros da corte suprema, no sentido de que a anistia não vale para os crimes de tortura, assassinatos, estupro de prisioneiras e desaparecimentos forçados, (crimes de lesa humanidade) cometidos pelos agentes públicos a serviço do estado brasileiro durante a ditadura militar de 1964-1985, ou seja, que os militares, policiais militares, policiais civis e civis que praticaram estes crimes contra os opositores do regime, não são beneficiários da lei ede anistia, através da interpretação errada de que tais barbaridades estariam contidas na definição de crimes conexos.

A impunidade vigente estes anos todos, sob o manto do esquecimento e de um falso acordo nacional representado pela Lei de Anistia, fere os tratados internacionais aos quais o Brasil é signatário, a consciência nacional, os direitos humanos e a própria democracia em que vivemos, no sentido que sinaliza com a impunidade, para que os crimes de tortura continuem acontecendo, como acontecem de forma indiscriminada país afora.

Envio a vocês o documentário Apesar de Você - Os caminhos da justiça, para fazermos o lançamento em seu sitio de modo a expor para a população brasileira o significado deste julgamento que será realizado no STF, sua importância para o futuro do país, para a defesa da cidadania e para o combate à pratica da tortura, tratamentos cruéis e degradantes.

É inadmissível que tenhamos outro resultado que não a decisão dos ministros da Suprema Corte, em favor da legalidade, do ordenamento jurídico internacional dos direitos humanos aos quais o Brasil aderiu, do combate à tortura e da apuração judicial dos crimes praticados pelos torturadores do regime militar, porém estamos receosos; pois pelas declarações de Gilmar Mendes, uma grande maracutaia parece estar a caminho e o STF poderá se tornar mais uma filial da pizzaria nacional.

Os ataques contra o Programa Nacional de Direitos Humanos, especificamente à criação da Comissão Nacional da Verdade e as pressões sofridas pelo Ministério Público Federal no sentido de emitir relatório contrario à consciencia nacional, defendendo a não apuração dos crimes deste período de nossa história (com a aceitação destas pressões pelo procurador geral da república, um calaboca foi dado em um instrumento importante da democracia brasileira como é o MPF); mostram o tamanho do embate que enfentamos na luta contra a impunidade em nosso país e para o estabelecimento da verdade e da justiça.

Ao lançar na Conversa Afiada este documentário, esperamos que os Ministros do STF o assistam antes de julgar a ADPF 153 e também que os seus leitores ao assisti-lo, participassem de uma campanha relampago, enviando com urgência email aos Ministros do Supremo Tribunal posicionando-se sobre o assunto e pedindo a responsabilização dos torturadores da ditadua militar.

PELO ACOLHIMENTO DAS POSIÇÕES DA OAB EXPRESSAS NA ADPF-153 SOBRE A LEI DA ANISTIA.
PELO RESPEITO À MEMÓRIA DOS QUE MORRERAM E DESAPARECERAM LUTANDO POR UM BRASIL JUSTO E DEMOCRÁTICO.
PELA FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES DE TORTURA PARA QUE SEJAM APURADOS PELO MPF.
PELO DIREITO A MEMÓRIA, À VERDADE E À JUSTIÇA.
PELA REPONSABILIZAÇÃO DOS TORTURADORES DO REGIME MILITAR.


Atenciosamente;

Marcelo Zelic
Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Coordenador do Projeto Armazém Memória
www.armazemmemoria.com.br
mzelic@uol.com.br

PS - Assinaram o documentário Apesar de Você - os caminhos da justiça: a Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Juízes para a Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Grupo Tortura Nunca Mais-SP, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Associação dos Magistrados do Brasil, União Nacional dos Estudantes e o Projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional.


--------------------------------------------------------------------------------

MENSAGEM ENVIADA AO GABINETE DOS MINISTROS DO STF - FAÇA A SUA PARTE - MANIFESTE-SE.

----- Original Message -----
From: Marcelo Zelic
To: ellengracie@stf.gov.br ; mgilmar@stf.gov.br ; mcelso@stf.gov.br ; marcoaurelio@stf.gov.br ; carlak@stf.gov.br ; gcarlosbritto@stf.gov.br ; gabminjoaquim@stf.gov.br ; gaberosgrau@stf.gov.br ; gabinete-lewandowski@stf.gov.br ; anavt@stf.gov.br ; alexandrew@stf.gov.br ; cnj@cnj.gov.br ; mzelic@uol.com.br
Sent: Monday, April 12, 2010 4:30 PM
Subject: ADPF 153 - DIGA SIM À OAB E CONTRA A IMPUNIDADE DOS TORTURADORES


Venho através manifestar a minha concordância com a posição da OAB referente à ADPF 153 e sugerir que assistam ao documentário Apesar de Você - Os caminhos da justiça, que debate a questão da impunidade dos torturadores do regime militar. http://videotecavirtualbnm.blip.tv/

Na espera de um posicionamento comprometido com a verdade, a memória e a JUSTIÇA por parte do STF, reafirmo: DIGAM SIM À OAB E CONTRA A IMPUNIDADE DOS TORTURADORES.

Atenciosamente

Marcelo Zelic
Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Coordenador do Projeto Armazém Memória
www.armazemmemoria.com.br
mzelic@uol.com.br

segunda-feira, 12 de abril de 2010

TRANSFERIDO mUtiRão na biblioteca roseli nunes

TRANSFERIDO PARA OS DIAS 1º E 2 DE MAIO. A organização pede a todos que aguardem nova divulgação.

Inscrições pelo fone: 9316.3214
ou pelo e.mail: casatierra.poa@gmail.com
Clique na imagem para ver em tamanho maior.

A miséria do crack e a droga da política

sábado, 10 de abril de 2010

A alfabetizacão cinematográfica por Moira Toledo

A forma do filme proporcionando ação de cidadania. É esse espírito de form+ação a soma que vibra pulsante na alma de Moira Toledo, experiente jovem cineasta educadora que circula estusiasmada há dez anos pelas "quebradas" do Brasil ministrando oficinas de alfabetização audiovusual.

Sua tese, literalmente falando, pois ela acaba de finalizar a pesquisa do Doutorado em Cinema pela ECA/USP, é propor o processo do fazer cinematográfico como um potente suporte pedagógico de transformação autônoma do indivíduo, principalmente para a juventude nas comunidades de periferia ainda apartadas de espaços culturais que integrem artes sofisticadas como o cinema. Para ela, o aprendizado audiovisual é uma disciplina multi relacional, que consegue trabalhar com diversos problemas de convivência em grupo, porque integra várias inteligências como a musical, viso-espacial, corporal-cinestésica, linguística e, até, matemática e física.

"Afinal, a fotografia é composta em frações, ou seja, numerações e equações", engatilhou Moira para a platéia atenta de 115 professoras de escolas da rede pública municipal de Porto Alegre que participaram, neste sábado 10, do Curso Intensivo de Cinema e Educação, parceria entre a Secretaria Municipal da Cultura (através das suas coordenações de Cinema, Vídeo e Fotografia e Descentralização da Cultura) e a Secretaria Municipal da Educação. A atividade dá largada às ações previstas para 2010 no projeto Programa de Alfabetização Audiovisual, que há dois anos promove uma série de ações voltadas para o aprofundamento e a ampliação da relação da linguagem audiovisual no universo escolar, entre as quais está o Festival Escolar de Cinema Brasileiro, programado para outubro próximo.

O Coletivo Catarse esteve lá, interessado que é na área de formação cinematográfica, já que ministra de forma ininterrupta oficinas em diversos espaços de multiplicação cidadã. Aproveitamos, para no final do curso, entrevistar Moira.

Queríamos um pouco da tua história, saber por que escolhestes atuar na área de formação audiovisual popular.

Sou uma pessoa muito envolvida com as mazelas do mundo. Desde muito novinha decide que qualquer coisa que eu viesse a fazer na minha vida iria ser para transformar a sociedade de alguma forma. Então fiz todo um percurso particular, desde a adolescência trabalhando com movimento estudantil, minha juventude nos partidos, envolvida com política diretamente, fui fazer faculdade de Ciências Sociais e quando cheguei na ECA para estudar Cinema eu pensei: agora, sim, vou mudar o mundo. Mas rapidamente entendi que não se mudava o mundo fazendo filmes.

E descobri a educação audiovisual por acaso, porque fui chamada para dar uma oficina. De cara fiquei muito interessada, mas não sabia nem se teria jeito para isso - a existência de muitos professores na minha família me estimulou. Dei a oficina, senti um impacto grande na vida dos meninos com quem trabalhei e pensei: Para aí! - de tudo que fiz na vida, foi onde senti que eu fazia alguma diferença. Assim, hoje, consigo satisfazer essa minha demanda de ser feliz e cumprir minha obrigação transformadora. Não existe nada mais maravilhoso do que entrar numa sala, por exemplo, como essa e trabalhar com 120 professores de escolas públicas, porque sei que cada informação vai para um canto - o impacto de médio prazo é algo que nunca vou saber, mas a certeza é que a semente da transformação está brotando. E isso é muito importante para mim.

E por que alfabetizar em linguagem cinematográfica jovens das quebradas, expressão que você usa para o público com o qual trabalha nas comunidades de periferia pelo Brasil?

São muitas. A importância óbvia é a que ao promover a alfabetização audiovisual você cria novas formas de se ler os meios de comunicação e nessa ação direta você faz com que os jovens deixem de ser meros depositários da televisão e receptores sem crítica - essa talvez seja a principal. Mas, para mim, como base dessa transformação existe uma característica toda especial do processo cinematográfico que é o de integrar na sua realização diferentes tipos de inteligência, especialmente as pessoais e interpessoais, isso coloca ao aluno uma outra forma de estar no mundo com o seu círculo de relações. Se esses jovens vão se tornar cineastas isso é um efeito colateral, mas, certamente, na minha expectativa, ele terá chances de conseguir lidar melhor com as pessoas, respeitá-las com generosidade e estar atento aos problemas do mundo aprendendo a fazer filmes, o que me deixa muito feliz.

Qual a colaboração desses filmes de quebradas para o conjunto da produção cinematográfica nacional?

Esses vídeos ainda não fazem parte de alguma escola cinematográfica, sequer consigo dizer que existe um cinema de quebrada, eu sou um pouco reticente a essa idéia. Existe uma intenção de fazer esse tipo de cinema, mas ele é muito pouco afinado e uniforme em termos estéticos. Há um movimento, mas não um cinematografia e se cobrássemos isso dessas produções seria exigir um pouco demais de uma construção que tem somente dez anos e ainda está marginalizada socialmente. Ainda não é o momento de se pensar numa projeção maior, pois haveria uma pressão sobre erros técnicos que ainda são bem evidentes e isso pode boicotar todo o desenvolvimento ulterior que essa produção pode vir a ter. Ainda se está numa situação de bastidores e isso é bom porque está amadurecendo, melhorando e quando um grande filme surgir ele conseguirá botar luz em todos os outros, mas no momento essa luz seria sobre as falhas. E é bom que o movimento ainda fique assim quietinho, de escola em escola, de comunidade para comunidade. Se puséssemos os filmes hoje na televisão eles não teriam impacto, as pessoas não enxergariam novidade pela imperfeição que os trabalhos ainda têm aos olhos do público mais geral. A linguagem está amadurecendo mais rápido do que a técnica, mas chegará o momento em que elas vão se encontrar, espero que num longa metragem de quebrada.

Na tua fala aos professores, diversas vezes falastes sobre a "glamourização" do cinema como uma característica de mão dupla, podendo servir para atrair ou decepcionar os alunos de comunidades pobres a descobrirem a linguagem audiovisual. Mas será que não existe uma forma de despirmos o cinema desse espírito de glamour, tanto para ensinar como para realizar, e ficarmos livres desse impasse?

Existe uma diferenciação desse glamour do cinema de elite do lá na quebrada. Entre a capoeira, as artes plásticas, o grafite, a dança e a música, o cinema de periferia encarna um certo encanto, como sendo aquela arte que é a mais difícil, a mais cara, o que ninguém pode, o que dá acesso aos melhores empregos caso eles venham a se profissionalizar. O lado positivo desse glamour da quebrada é que quando você consegue chamar com habilidade esses jovens para o cinema, eles vêm. É claro que eles conhecem o glamour elitista da Rede Globo ou Hollywood, mas quando eles passam a entender de que tipo de cinema estamos querendo ensinar essa projeção das celebridades vai sumindo, pois eles já estão apaixonados pela arte que é possível eles fazerem. O glamour, como sentimento de atração, para nós oficineiros trabalharmos de antemão, é algo que não se deve desperdiçar, só que ele é tão falso que conseguimos broxá-lo no primeiro dia de oficina e aí vamos para o que realmente importa que é o trabalho braçal, de sangue nas veias, ralação, de carregar, fazer e acontecer. Mas, talvez, o que exista até nesse tipo de cinema é um apoderamento charmoso do momento da exibição, que é algo realmente diferenciado, quando seu trabalho vai a público. Só que é tão localizado e específico que isso se torna útil, sabe? Ele existe, é atávico, intrínseco e eu uso ele para facilitar a vinda do aluno para dentro da aula. Mas todo o resto é negativo, porque mexe demais com o ego, aumenta expectativas que não vão ser correspondidas de modo algum, por exemplo, num levantamento que fiz para a minha tese de doutorado verifiquei que somente 11% desses alunos buscam a profissionalização na área. Mas te garanto, dificilmente um aluno meu está na sala de aula sem querer. Eu sempre digo assim: com o cinema você tem tudo para começar a aula com platéia ganha e daí por diante eu vou desconstruindo isso do glamour, o que para mim também é muito bom.

Quem é:
Moira Toledo coordena desde 2004 o projeto Formação do Olhar do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, desenvolvido na periferia da capital paulista, e é Supervisora Pedagógica das Oficinas Tela Brasil (realizadas pela cineasta Laís Bodanzky). A partir dessa experiência, Moira vem desenvolvendo metodologias que facilitem o trabalho de educadores interessados em trabalhar com cinema em sala de aula.
Atuou como Coordenadora Educacional do Instituto Criar de TV e Cinema (2006), como professora e colaboradora pedagógica das Oficinas Kinoforum (2003-05), e como consultora artística e pedagógica da Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André (2007-2009). Atuou também como curadora do aLucine - Toronto Latino Film and Vídeo Festival, em 2003, onde participou também como júri em 2005 e 2006.
É a mantenedora do acervo cinematográfico Kinooicos, que conta com mais de 300 vídeos realizados em oficinas culturais.